quarta-feira, 22 de abril de 2015

nem tudo são flores

minha vida anda numa crescente maluca de felicidade, só coisas boas acontecem e o tempo todo. risoto e vinho com os amigos, beijos e carinhos do namorado, um trabalho feliz e - razoavelmente - bem assalariado, uma família que me entende e me completa e um acordo bem feito com o espelho. diga-se, não tenho do que reclamar. mas é só o que consigo fazer desde ontem às 15h e hoje até o atual momento. 

acho que me desacostumei. se a minha felicidade fosse um gráfico, nos últimos meses ele só subiria, às vezes ascendentemente, outras, mais lentamente. mas sempre para cima, para o alto e avante. nenhuma queda. nem mesmo uma só parada. e aí que quando isso acontece depois de meses, você parece uma ingrata. como, afinal, dentre todas as coisas que eu disse aí em cima, eu posso arranjar tempo para reclamar? ainda mais se as reclamações forem coisas ridículas e supérfluas como:

- tomei vacina e meu braço está doendo pra valer;
- queria assistir filme ontem à noite, mas não pude, pois a festa em casa durou mais do que devia - e foi boa!;
- dormi bem mal;
- acordei passando ainda mais mal, com enjôo, fraqueza e dor no corpo; 
- tomei dramin e capotei, tendo assim que faltar no trabalho no período da manhã;
- acordei melhor, me recompus, liguei para voltar ao trabalho e me deram o dia pra descansar;
- isso mesmo, me deram o dia para descansar e eu estou irritada porque de certa forma, eu estou apta a voltar para o batente e vou ter que ficar em casa fazendo nada, lendo, comendo, ou postando no meu blog, coisa que eu queria, mas o tempo não me deixava fazer há meses.

adicione uma irritação descomunal com a sua mãe que só tenta te ajudar e um ressentimento do namorado que acha que mandar mensagens (ainda que trocentas) é suficiente, enquanto você pode afirmar com toda a certeza que dias como hoje merecem ligações. pode me odiar agora. chata pra caramba, nem eu me aguento. 

a verdade é que tolerar pessoas chatas no trabalho, na faculdade, na família já é uma coisa pra lá de difícil. só de saber que você terá que dividir seu tempo com essas pessoas que só veem o lado negativo das coisas, um frio na espinha percorre todo o seu corpo. mas experimenta ser você o chato por um dia. ter que aturar sua chatura cada milésimo de segundo das vinte e quatro horas que o dia se arrasta. ter que lidar com si mesmo em dias ruins é uma das tarefas mais difíceis que já encontrei e se você que ainda lê esse blog empoeirado depois de tanto abandono apresenta uma solução, por favor divida comigo. e divida logo, que tá fogo. eu quis dizer foda. foda-se falar palavrão. o mundo pode ser cheiroso a maior parte do tempo, mas nem tudo são flores. pelo menos não sempre. alguém me dá um desconto?