quarta-feira, 16 de janeiro de 2019

TOP 5 livros 2018 - Americanah (4)

Em 2018 eu tive a chance de ler dois livros de Chimamanda Ngozi Adichie, o que foi suficiente para entender que vou amar tudo o que esta mulher resolver escrever. Hibisco Roxo foi minha primeira experiência com a autora, mas Americanah é que ganhou meu coração.



No livro, conhecemos a história de Ifemelu, uma menina nigeriana que cresce nos anos 90 em meio às mudanças políticas que afetavam a Nigéria. Ifemelu tem também uma importante relação com Obinze, um rapaz para quem ela dá seu coração e que traça grande parte da importância desta narrativa. De alguma maneira, os Estados Unidos torna-se o lar de um desses personagens, o que vem a acarretar dificuldades nesse romance. 

Porém, podemos afirmar com toda a certeza que o relacionamento entre Obinze e Ifemelu é apenas o pano de fundo para um livro que do começo ao fim se propõe à crítica social. Ifemelu é uma personagem tão real que por muitas vezes penso que deve ser inspirada na própria vida da autora. Desde o princípio, a narrativa nos faz pensar no preconceito, que se pra mim enquanto mulher branca, abriu os olhos e fez pensar em pequenas discriminações do cotidiano, para a mulher negra que o lê deve haver reconhecimento e acolhimento. 

O livro venceu o National Book Critics Circle Award e foi eleito uma das melhores obras de 2013 pelo The New York Times Book Review. É um livro que ouso dizer ser necessário em um país que nega seu preconceito ao escondê-lo sob piadinhas de mau gosto e que me fez entender o racismo real, diário e doloroso que eu, enquanto mulher branca jamais havia entendido. Abriu meus horizontes de um jeito simples e permanente. É um calhamaço, desses que quando acabam a gente ainda quer o volume 2. 

segunda-feira, 14 de janeiro de 2019

relógio

ter um filho é personificar o tempo.

eu sempre disse que o tempo passava rápido, mas não fazia ideia do que dizia até a chegada da minha pequena. ela redimensionou tudo aquilo que eu conhecia - incluindo minhas próprias forças! - mas entre as mudanças mais drásticas, ficou minha relação com o tempo. 

de repente o relógio passa a ser contado pelas mamadas. as fraldas, vejam só, também são indícios dele. faz parte do tempo também os minutos da soneca que ela tira durante a tarde, os segundos que a mamadeira fica no micro-ondas, as horinhas curtas que eu tenho para arrumar a casa enquanto ela não acorda. é nele que penso enquanto dou uma escapadinha no shopping para fazer as compras de Natal, ou quando tento fazer caber em uma hora a depilação, a manicure e a pedicure, pois preciso voltar pra casa e estar com ela. não só preciso. quero.

mas o tempo mostra mesmo sua cara no rostinho dela. quando pego as fotos do seu nascimento e vejo quanto cresceu. quando ela pega com facilidade os brinquedos que ofereço e relembro a dificuldade que era acertar no começo. quando ela vira e desvira na cama com facilidade e eu me lembro de quando comemoramos pois a colocamos de bruços - e ela conseguiu erguer a cabecinha! o tempo se mostra em sua gargalhada, ao entender brincadeirinhas, nos gritinhos e tosses para chamar a atenção. o tempo está nela, em seus muitos centímetros e tantos quilos. o tempo está naqueles olhinhos, que abrem com um sorriso a cada manhã, ao me reconhecer e nos bracinhos que me procuram quando me vê.

caetano não podia descrever melhor: 
"és um senhor tão bonito
quanto a cara do meu filho
tempo, tempo, tempo, tempo
vou te fazer um pedido
tempo, tempo, tempo, tempo..."



sexta-feira, 11 de janeiro de 2019

TOP 5 livros 2018 - Menina Má (5)

Neste ano de 2018 li 24 livros, o que me deixou muito contente porque com a maternidade chegando no meio do ano, achei que não conseguiria ler muito e dois por mês está uma ótima média :)

Desses 24, decidi elencar os 5 melhores e depois falar um pouquinho sobre 3 decepções. Hoje, vou começar pelo 5º livro favorito de 2018.


Menina Má já devia ganhar uma posição por aqui só por esta capa maravilhosa da Darkside Books. Além disso, suas edição está primorosa, o que sempre dá uma vontade maior de ler o livro. Se pegarmos a sinopse, nossa curiosidade já é aguçada com a pergunta inicial "Quando nasce a maldade?", mas é no decorrer do livro, na forma como a narrativa é construída que eu fui pega completamente.
A menina má é Rhoda Penmark, uma adorável menininha de 8 anos de idade. Com a premissa da capa e da sinopse, já fica claro que ela não é tão perfeita assim, então a curiosidade reside em entender o que ela vai fazer para dar título ao livro. O desenrolar da história é muito interessante, especialmente quando vamos descobrindo as coisas com a mãe de Rhoda, que é uma personagem essencial no livro, cuja evolução é muito coesa e precisa.
O livro nos faz pensar em psicopatia, sociopatia e também sobre como ele se dá - seria genético? seria uma falha no nosso sistema? tem como evitar? - e faz refletir verdadeiramente sobre o tema. 
Vale lembrar que o livro, lançado em 1954, fez um sucesso estrondoso e controverso, ganhando adaptação cinematográfica com direito a Oscar e tudo! É um livro que abriu portas para personagens como Chuck, Dexter e Annabelle existirem e que faz a gente ter um pouquinho de medo da humanidade - além de olhar ao redor com um pouco mais de cuidado rs. 
E você? Já leu? Sente vontade? Conhece outra literatura do tipo para indicar? 


segunda-feira, 24 de dezembro de 2018

é Natal

o que é Natal pra você? 

há quem aposte na união. outros em chateação. tanta gente responderia simplesmente "família". acho que eu mesma escolheria esta última. fa-mí-lia. com toda a união e chateação que ela pode vir a representar, já que nesse dia somos tantas vezes forçados a estar ao lado de quem nosso coração não necessariamente gosta. mas tá ali, junto. 

família, eu também compreendi com o tempo, nem sempre tem conexão com o sangue. muitas vezes criamos laços ao longo da vida com amigos que representam tão mais do que alguns primos e tios, quiçá até irmãos. a tal da família que a gente escolhe também merece uma ode num dia como este. 

não sei como você vai passar esse Natal. não se se você está com vontade de ver todo mundo ou com raiva por essa ter se tornado apenas mais uma data capitalista. não sei se você escolheu passar com a família querida ou se este ano não te sobraram muitas opções. se você joga no time do com ou sem uva passa e se você prefere a sobremesa ao jantar. mas queria te lembrar que essa data importa. importa lembrar que a gente tem saúde, que a gente tem problemas, mas também encontramos solução, que o amor persiste mesmo quando parece estar indo na contramão. importa estar ao lado de quem a gente gosta, ainda que em nossa frente tenhamos que aturar a presença daqueles que queríamos ver do lado de fora da porta. importa ter comida. ter casa. termos alguém ou alguéns, ou ainda, a nós mesmos. 

Natal pode ser família. pode ser gratidão. pode ser consciência. 
pode ser perdão.

feliz Natal! que você permita que a magia desse dia (sim, ela existe!) invada seu coração!