quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

a lua que eu ganhei

ela ficou sentada olhando a lua.

nunca tinha visto nada igual. da sacada do quarto onde ela passava sete dias de férias ela já tinha de presente o mar, mas por alguma razão desconhecida Deus resolvera lhe presentear com aquele luar refletido no oceano. era uma coisa linda, de ficar inebriada, de não querer tirar os olhos. era como se todo o corpo dela se demandasse ser feliz. pensava que aquele tipo de cenário só era reproduzido no cinema, coisa de filme, coisa de cinema ou boa televisão.

juntou as pernas e as agarrou com os braços, se dando um abraço de amor. é, ela gostava de si mesma. apoiou o queixo nos joelhos e num breve fechar dos olhos agradeceu à Deus por estar viva, pela saúde de todo mundo que amava e por aquele luar tão lindo e gigante. sempre amou o mar, mas entendeu que o que testemunhava ali era como o encontro de dois amantes, mar e lua, se apaixonando escancaradamente. e poucas coisas no mundo são tão bonitas quanto testemunhar um amor verdadeiro.

e o seu, sabe-se lá onde anda! também pouco importava. ali, com aqueles dois na sua frente compreendeu mais do que nunca que o amor acontece quando tem que acontecer por mais improvável que o seja. quem diria que quem mora no céu iria se apaixonar tanto por quem fica tão fincado na terra. e há quem diga que sol e lua é que se amam. mal sabem eles... mas a gente se confunde tanto na vida, ela mesma, antes daquele momento podia jurar que o amor era aquela dança desencontrada entre lua e sol, um buscando e fugindo do outro. triste!

mas quanta poesia pra pouco pensamento, já estava sonhando outra vez na frente daquela imensidão, pensando coisas sem sentido. pensou que naquele instante o seu grande amor poderia estar em algum canto do mundo encarando a lua de frente e pensando nela, sem conhecer. a gente fica romântica quando vê um casal que se ama tanto se beijar assim tão profundamente.


a verdade é que não havia desejo desesperado, não havia necessidade de amor. ali, depois de tanto tempo ela compreendeu que se bastava, ainda que desejasse que alguém testemunhasse tal bastamento junto dela, agregando ainda mais desse bem estar. vai acontecer, no seu devido tempo, não tenha pressa, menina. e já desconfiava que quem lhe dizia aquilo não era sua alma, mas a lua. sentiu que ela lhe encarava. mais que isso, encorajava. deu vontade de tirar foto (e até tentou) mas compreendeu que momentos como aquele não se registra em fotografia. desistiu e se abraçou ainda mais forte, se amando inteiramente até que a noite virasse dia. 

3 comentários:

Bárbara disse...

Eu simplesmente AMEI.

Que leveza nas palavras. QUANTO AMOR...

Sem palavras amiga.
Me emocionei.

Luv.

Bruna Gabriela disse...

Realmente existem momentos que a fotografia não pode registrar, afinal a tecnologia ainda não regista sensações e sentimentos.

Lindo texto Flá.

Ana Luísa disse...

Que texto lindo, Flá. Você arrasa. E que incrível essa epifania que você teve apenas observando a lua e o mar.. To precisada! HAHAHA
Te amo!
Beijo