domingo, 21 de julho de 2013

eu sou uma bagunça

ela chegou em casa cansada, exausta.

se cobrava minuto após minuto pelas escolhas que havia feito. não que não estivesse contente com o que já tinha realizado na vida, mas quando somava seus anos e olhava para trás vendo seus feitos, decepcionava-se com sua escassez. queria ter feito mais, ter realizado mais, ter tido mais coragem. entrava em perfis alheios na internet e via tantas realizações, fotos de viagens espetaculares, de vestidos glamurosos em jantares, de gente sempre tão feliz e contente consigo própria que chegava a ter inveja nos primeiros trinta segundos. questionava-se: o que seria de mim se eu não fosse tão mão de vaca? o que eu preciso fazer para ser mais sociável? mas nunca encontrava respostas. e depois consolava-se dizendo que ninguém na vida coloca seus medos e fracassos em um perfil na internet. nem ela mesma. 
tinha vontade de sair pro mundo, de pegar suas malas e largar tudo, feito a foto da menininha com a mala que pregou em seu armário "fuck it, I'm leaving", e viver com algumas migalhas de euros, dólares ou reais, viver o que tinha pra viver, se descobrir. mas não tinha coragem. como encontrar do outro lado do mundo pessoas que a amassem tanto como as que tinha no sofá da sala? como encontrar no exterior todo o amor que recebia num jantar bem feito, recheado de alfinetadas dos pais insatisfeitos com seu relacionamento e os olhares cheios de discursos que trocava com a irmã na cadeira da frente? se se descobrir tinha um preço, ser muquirana não a permitia pagar pra ver. preferia o conforto de não saber quem ela era a ficar longe daqueles que gostava tanto. quem sofria afinal, era quem?
e queria um amor, desejava ardentemente, pois se achava um desperdício. tinha vontade de dizer para o Cara lá de cima que ela tinha capacidades incríveis que Ele estava desperdiçando, que tudo na sua vida ia ganhar mais sentido se tivesse pra quem dedicar todo aquele amor que escorria em vão de dentro de si e que, em retorno, só pedia ser amava. mas logo depois que tinha esses pensamentos voltava atrás, com medo do que Deus poderia pensar dela, de como Ele poderia achá-la mesquinha, uma vez que tinha tudo, família, casa, trabalho e boa situação financeira. mas não amor. me desculpa, me perdoa, Senhor. era uma ladainha. 

ela tinha um blog e escrevia regularmente, mas nos últimos tempos ficou com medo de assustar seus leitores com tamanho peso que punha nas palavras e ficou tempo enorme sem escrever. mas se tinha uma coisa que sabia de si é que gostava de escrever, então correu o risco de deixar os leitores insatisfeitos mas terminou um texto desconexo, tristonho e mais uma vez sem graça. o releu inteirinho e pensou: está uma bagunça. clicou em publicar segundos depois de pensar: eu estou uma bagunça

10 comentários:

Bruna Gabriela disse...

Isso foi forte. Embora já tenha tido todas essas vontades, esse desabafo mexeu comigo.
Foi tão intenso, tão real e ao mesmo tempo tão triste.
Faça o que tem vontade, e viva o que tem pra viver. Não tenha medo. Não ache que precise apenas de um amor. Se ame, se jogue, se dedique. E se precisar jogar tudo pro ar, jogue. Embora clichê: A vida é uma só.

Letícia Giraldelli disse...

Nós estamos uma bagunça. Acho que todo mundo que escreve tem lá suas bagunças internas que é necessário explodir em palavras para que não nos explodamos interiormente.
Você escreve bem pra caralho e vai encontrar um amor. Deus não falha, tampouco falha.
Nosso pai nos ama muito e tudo em seu tempo.

Força, linda.

Ana Luísa disse...

Amiga, como eu te disse, às vezes é o peso que a gente precisa liberar! Amei o texto, serei sempre sua fã! Escreva sempre, escreva tudo!

Mayra disse...

We're all a mess sometimes. E textos bagunçados, querendo ou não, são os que mais nos ajudam a nos organizar internamente. Além disso, saiba que as pessoas que parecem felizes no facebook também são bagunçadas as vezes e também têm suas neuras e problemas. É parte da vida. Temos que simplesmente aceitar isso.
(mesmo bagunçada vc escreve bem)

Marina Melo disse...

sou sua fã número um, forever! e mesmo na bagunça você sabe fazer isso heim, PQP! Hahahaha!

Larie disse...

Só vim te mimar agora, Flá!
O texto tá pesado, mas isso só me dá mais vontade de te dar um abraço bem forte e conversar que vai ficar tudo bem. Porque a vida tem uma maneira meio engraçada de dizer que a gente precisa continuar com fé.

Você merece alguém especial e talvez o Cara lá de cima só esteja preparando seu terreno para que apareça um dos amores (como diria a Iralinha) da sua vida. <3 Acredito nisso fortemente.

Não é só você que está uma bagunça,amiga, acho que estamos todas em sintonia.

♥ ;*

Lê disse...

Até de ponta cabeça você tem o dom de escrever os textos mais gostosos de ler.
O Cara lá de cima tá preparando tudo com calma pra dessa vez ser perfeito. Porque é o mínimo que você merece. Tudo de melhor nessa vida.

Andreia Morais disse...

Acho que todos nós, num ou outro momento, estamos mesmo uma enorme confusão por dentro. Inevitavelmente, fazemos planos de futuro e, muitas vezes, não estamos preparados para as coisas correrem ao contrário do que imaginámos

Beijinhos,
http://partedoquesou.blogspot.

รяª Nathalia disse...

Essa considerações finais foram tão verdadeiras tanto quanto o post em si.
Me senti como vc. Tantas pessoas felizes e eu aqui, passando pela vida. Somente passando. E não vivendo.
Por um lado, essa bagunça é boa. Nos ajuda achar coisas boas perdidas e perder de vez aquilo que queremos esquecer.

Thay disse...

"Queria ter feito mais, ter realizado mais, ter tido mais coragem." Isso me pegou de jeito, Flá! Poderia ter sido eu, descrita no seu texto. Acho que essa coisa de fazer 25 anos tbm está mexendo comigo e me fazendo sentir uma bagunça. Mas, diferente do que você disse, não achei o seu texto uma bagunça. Reflete o que você sente, e te faz ler direitinho o que te perturba. E isso não é ruim, já que a partir disso você consegue ver pra onde seguir. (:

Estava com saudades daqui. ^^