sábado, 19 de janeiro de 2019

licença-maternidade


pedi para o seu pai me deixar te dar o banho da noite hoje. 
vim evitando pensar nas horas que ficaremos separadas a partir de amanhã, mas quando ele insistiu em te dar banho, meu coração ficou pequeno e eu expliquei que não teremos nosso banho da manhã. assim como não vou mais poder namorar o seu doce despertar. não vou rezar pra você tirar a soneca da manhã e eu conseguir fazer alguma coisa pra mim (unhas? lavar o cabelo? música?). não vou fazer você dormir no meu colo por volta das 11h, logo depois de mamar. não pilotarei as colheres do seu almoço e com certeza trocarei uma quantidade infinitamente menor de fraldas. 

houve um tempo que eu ansiava tanto por isso! até julgava quem largava tudo pra viver de trocar fralda suja dentro de casa. mas eu ainda não tinha descoberto o papel de mãe. ainda não tinha compreendido que cada dia é uma novidade e que além da rotina chata há o crescimento inabalável de um amor que não tem precedentes. sei que preciso resgatar esse pedaço da minha identidade, mas o medo de perder suas horas, seus avanços, suas conquistas... ah, como abala! 

sairei dessa porta amanhã retomando um pedaço de mim que ficou guardado na gaveta, mas vestindo meu traje de mãe para quem quiser ver. pedindo pro tempo correr e eu pegar você. ver seu sorriso, sentir seu cheirinho, acalmar sua manha. meu Deus, como existi num mundo sem você?

saio às 7h. fico livre às 15h. e sei que se vou te ver às 16h, desde às 14h já começo a ser feliz.