terça-feira, 6 de março de 2018

costa girls

voltei a assistir gilmore girls.

não faz pouco tempo, tem mais de mês. terminei todos os queridinhos - the crown, grey's anatomy, downtown abbey e precisava ocupar meu tempo com algo mais. gilmore girls é sempre uma boa saída e rever as personagens que tanto me fizeram companhia há anos, com os olhos de hoje, tem se mostrado uma tarefa no mínimo interessante. 

ano passado, antes do meu casamento, eu tinha recomeçado a assistir, mas fiquei só na primeira temporada. mesmo assim, tenho que confessar que algumas revelações foram bem incríveis. para começar, eu entendi porque quando adolescente preferia lorelai e achava rory chata - eu era rory! a leveza de lorelai, suas tiradas, seu jeito tranquilo de levar a vida me encantavam enquanto rory se apaixonava pelos caras errados e preferia ficar em casa a ir para festas da sua idade...bem, devia ser demais pra mim, já bastava me ver todo dia no espelho, que dirá assistir uma versão (mais puritana, confesso) de mim. 

mas este novo momento tem sido ainda mais engrandecedor (perturbador?) pois nos últimos meses estou pela primeira vez olhando mais para lorelai - essa querida, cujo nome dei para meu falecido computador rosa. olhando além das tiradas, das palavras que fluem em velocidade recorde por segundo, além das caretas e baboseiras que, por Deus!, um dia ainda conseguirei fazer com a minha vida. o que acontece é que por vezes permaneço em seu olhar, analiso seu cuidado, admiro o fato de ter criado uma menina tão incrível quanto rory quando ainda sozinha e tão nova. 

episódio passado, rory finalmente foi para a universidade e eu chorei quase que do começo ao fim. estava evitando aquele momento, pois estava com medo dos sentimentos que viriam e vieram e enfim... lorelai nada tem de minha mãe, exceto talvez o mais importante: o amor arrebetador de mãe para filha. ao assistir o episódio, foi inevitável pensar nos dias que antecederam meu casamento, quando sair de casa se aproximava. passado o êxtase de lua de mel, o grito sufocado na garganta de "eu quero minha mãe" e "me devolve minha irmã!" - ganhei de rory nessa - e a vontade de voltar para aquele berço, aquele ninho de amor onde fui criada com minha família. nós quatro, pois seu flávio é durão, mas é um puta pai - cristopher não chega nem aos pés, rory, ganhei de novo. 

e ao assistir este episódio (2 da quarta temporada) eu percebi que, assim como rory, sou uma sortuda, pois muito pode ter me faltado, mas sempre nadei na abundância do amor e da segurança que ele emana quando verdadeiro. e chorei por isso. percebi que assim como rory, tenho a melhor mãe do mundo e para ela posso ligar a qualquer momento, que mesmo aos 28 ela vem correndo me fazer sopa de legumes quando cinco pedras no rim filhas da mãe resolvem me torturar. e chorei também por isso. mas, ainda mais do que tudo, percebi que aos poucos vou me despedindo de rory para também entender lorelai. pois hoje não sou apenas filha. deixei de olhar o seriado e me entender apenas como rory. estou me tornando lorelai, estou me tornando mãe. e ainda choro agora, quando penso nisso. 

Um comentário:

Ricardo Monteiro disse...

Nós e essa nossa mania de nos encontrar nas séries.

Beijo, bom dia.