segunda-feira, 15 de maio de 2017

ruídos e silêncios

às vezes a gente precisa se fechar para conseguir se ouvir. são tantos os ruídos de comunicação. a nova série de tv, a buzina no trânsito, as contas que chegam já no início do mês, os problemas do colega, os aniversários da família. tudo parece se ocupar de nós e nos deixamos ocupar, porque de alguma forma o ruído abafa o grito. o grito do cansaço, do medo, do desespero. ou simplesmente o silêncio do aperto. não sei qual deles demanda mais atenção: o grito ou o silêncio. quem grita expulsa os demônios e com eles pode ferir que passa perto. o silêncio trancafia os demônios no peito. qual deles soa mais certo?
o ruído sempre causou em mim efeitos colaterais. mais propensa ao grito que ao silêncio, vi meus demônios tomarem conta da minha voz, rasgando aqueles que se postavam à minha frente com o intuito de ajudar. só eram bem sucedidos em sair feridos. eu aproveitava de um nirvava breve, enquanto escapava do desespero, atirando-os -os maus sentimentos- naqueles que por vezes estavam de passagem. era um alívio esvaziar-me. até que eu encontrava naqueles que eu amava, as cicatrizes da minha catarse. seguiam-se dias de culpa, culpa que eu abraçava, pois merecia me sentir miserável depois de atacar tanto os outros por nada. por nada. pra eles ao menos, por nada.
então, me refugiei no meu silêncio. e com o silêncio, os ruídos precisam ser ainda mais altos, pois caso contrário ele toma o espaço, tal qual poeira - difícil de ver, fácil deixar permanecer. pode ser perigoso. ele toma conta sem que a gente perceba, entra nas nossas dobras e desdobras, caminha pela nossa mente a ponto de não nos deixar pensar em nada. domina a alma. congela o peito se fingindo de calma. faz doer sem sentido. e não há bom samaritano que nos estenda a mão, pois a poeira do silêncio tantas vezes é invisível! e não há em quem soltar a catarse, não há por quem sentir culpa de nirvana, não há nirvana. não há nada. 
não há vontade.
não há expectativa.
não há raiva.
não há hobbies.
não há. 
minto. há um medo absurdo. desses que a gente grita sem som. 




2 comentários:

Nati Pereira disse...

Também já senti tudo isso em demasia, foi muito horrível e não desejo que ninguém sinta isso. O medo temos que ter jogo de cintura com ele pra saber lidar e não deixar que nos abrace totalmente. É aquele ditado né, tá com medo? Vai com medo mesmo.
Beijos
Mundo de Nati

Stella Rodrigues disse...

acabei de escrever um parecido com esse, aparentemente é o mal do século.