quinta-feira, 4 de junho de 2015

angústia

João abriu a tela do celular para parar com o dedo no meio do caminho. Viu a tela acender e apagar enquanto pensava no que faria em seguida. Mandar mensagem parecia tão pouco. Ligar parecia invasão. Mas não conseguia deixá-la caminhar para aquela direção novamente. Será que ela não percebia? Decidia viver enclausurada novamente, no alto da torre do amor, como se viver dele bastasse. Será que ela não tinha aprendido nada desde a última vez? Afinal, fora exatamente assim. Ele lhe disse com todas as palavras para não confiar no amor assim tão cegamente, não mergulhar tão fundo em oceanos que desconhecia a profundidade. Da última vez, foi com a cabeça doendo e os olhos inchados que ela voltou pra ele, dizendo que na verdade havia se jogado em uma piscina rasa. Coube a ele juntar os cacos, dar goles de vinho e um travesseiro quente. E quando pensava que tudo estava bem, tinha que assisti-la se perder novamente. 

2 comentários:

Poetizandores disse...

" Mandar mensagem parecia tão pouco. Ligar parecia invasão. Mas não conseguia deixá-la caminhar para aquela direção novamente"
Ahhh,não há definição melhor.
Seus escritos são lindos!
Parabéns
Beijos.

Josi Florrie disse...

"Ele lhe disse com todas as palavras para não confiar no amor assim tão cegamente, não mergulhar tão fundo em oceanos que desconhecia a profundidade." Você sempre escreve o que eu mais preciso ouvir.