sexta-feira, 18 de julho de 2014

onde você está

eu estou indo embora.

e quando eu olho para frente só vejo luz. é como se meu destino fosse florido, estampado feito aquela blusa que você chamava de cortina mas que eu tanto amava, pois me dava essa sensação de paz. a mesma que eu estou tendo agora. como se no meu futuro não tivesse inverno a não ser se eu pedisse dia frio pra dormir abraçado embaixo do cobertor. e outono só pra tirar foto bonita pra mostrar aos filhos mais pra frente. e comer fondue. mas todo o restante só flores, e ar fresco. praia, sol, areia fofa e sol que abraça.

um futuro de paz e amor e sol e só.

e tenho uma mão vazia. a outra acompanhada, pois há quem a segure. é isso mesmo, não vou sozinha. faço o meu caminho e por onde eu piso ele pisa também, pois é um caminho de dois do jeito que eu sempre sonhei. pare um pouco e imagine a cena. eu de vestido florido, ele de mãos dadas comigo, o sol fazendo sombra nas árvores, uma estrada limpa, vazia e feliz. não se esqueça da areia fofa. me achou? é neste momento que eu olho pra você.


sim, mais uma vez (talvez a última). olhando pra trás, onde você fica. onde a estrada é escura e onde o medo reside como cada grão de areia da estrada que me vai na frente. não vejo árvores, não há flores, o sol nem é palavra e praia é inexistente. só de olhar eu sinto frio e sinto dor e sinto todas aquelas coisas que será que um dia eu vou parar de sentir? será possível ainda hesitar diante de tamanha diferença? eu amargo o sorriso. eu não te enxergo e você não me vê. e mesmo assim eu quase me vejo correndo para o nada, para trás, para o medo, para o escuro. para você. 

10 comentários:

Gabriela Freitas disse...

É Flá, tem gente que mesmo fazendo mal faz bem, ou nem faz, a gente só queria tanto que fizesse que se engana pra voltar atrás.

:/

http://www.novaperspectiva.com/

Gabi Barbará disse...

eu nunca olho pra tras nessas situacoes. Sei la, parece que quando a pessoa vacila ela morre pra mim. Sou muito desapegada. Mas tomei muita porrada da vida ate aprender a ser assim.

bjs de Filipinas,
Gabi Barbará
Barbaridades!

Carol Caniato disse...

Esse texto me fez lembrar de uma situação que aconteceu deve ter uns 7 anos. Eu fazia aula de teatro e num exercício que era pra ser feito em dupla, o professor pediu para que nos encontrássemos no meio da sala, nos despedíssemos e caminhássemos para lados contrários. Quando chegássemos na porta, teríamos que olhar para trás, dar o último olhar.
Foi muito difícil fazer o exercício porque esse, na verdade, é um momento difícil. E condensar todo esse momento em um olhar é duro.
Mas as vezes acontece.
Beijo!

Vulgo Emilie {@hisakurasan} disse...

assim... o texto começou tão bonito e sonhador....e... termina com ela correndo para o nada? é por que esse nada se foi ou não existe mesmo? ou, sei lá, está no campo das possibilidades?

Camila Faria disse...

Olhar para trás quase sempre não é uma boa opção... O negócio é seguir em frente!!!

Mª Fernanda Probst disse...

Foca nas flores. Foca nas coisas boas. Mas eu te entendo. O ruim do tempo bom, da areia, do sol é o conforto que isso tudo traz. A gente se acomoda. Se aquieta. Parece até que não vive.

O medo nos deixa em constante estado de alerta.

Eu quase corri para trás também.


Lindo texto!

Kamilla Barcelos disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Kamilla Barcelos disse...

Senti um calafrios na parte final do seu texto. Parece que eu me vi correndo para o nada, para trás, para o medo, para o escuro e para ele. Que frio na barriga, Flá.

Fer Castro disse...

Flá, é assim mesmo. Até a pessoa aprender que o mais sábio é continuar em frente, até ela desapegar do passado, vai insistir em olhar pra trás. Mas tudo tem que ser vivido conforme o tempo de cada um.

=*

Marília Macedo disse...

Corre para as flores. Mesmo sozinha. Lá terá sorrisos, isso é certeza.

Primavera vem chegando, é questão de tempo.

voltei de vez pro mundo dos blogs.

xero :***