domingo, 26 de maio de 2013

azul da cor do céu

você é a melhor imagem que eu tenho do céu.

quando fecho os olhos e te imagino aí em cima, penso num lugar branco, repleto de nuvens macias feito algodão doce e sorrio imaginando o quanto elas não devem te fazer pensar em mim. aí minha memória se esvai e volta para o passado, e estou me lembrando de você pegando o banquinho vermelho e colocando na rua de cima só pra me ver andar de bicicleta, me lembro da sua voz gostosa chegando pela escada com quatro algodões doces na mão, sempre quatro, dois pra mim, dois pra ela, cores iguais, porque era assim que você nos amava. muito e igual. fico impressionada do tempo ter passado tanto, porque é incrível o quanto você é presente: num jogo de futebol, num sotaque no meio da rua, na comida que eu me sirvo, no copo de whisky, na mão de um avô que leva o neto no parque, no buraco que a sua ausência deixou no meu coração, em casa, na nossa família e na poltrona da sua sala. eu não gosto de ir lá, sabe, vê-la vazia ainda é pontada no peito. 

não é que eu não sinta sua falta sempre, ainda que você se faça presente tanto e continuamente, mas é que em dias como hoje a sua falta dói. porque eu penso em como poderíamos estar, nos laços que não teriam sido rompidos, na quantidade de carinho que eu teria recebido, na quantidade de carinho que eu poderia ter distribuído. e as vezes eu tenho vontade de sentar lá naquele sofá e conversar com ela, do fundo do meu coração, mas algo me impede e eu me culpo, eu me culpo tanto e eu sei que se você estivesse aqui eu não me culparia, elas não se culpariam, as coisas não estariam nesse pé e meu coração não doeria, porque aquela poltrona estaria ocupada, e eu sentiria o seu cheiro de colônia, te daria uma aspirina, colocaria um fado pra você escutar, eu sentaria no seu colo, ou te daria um beijo na testa. na sua presença a gente encontrava pequenas frestas, caminhos mais curtos pra ser feliz. 
e eu ainda brigo com Ele por ter te tirado tão cedo de mim, e sei que Ele sabe das coisas, mas também sei que melhor seria se você tivesse ficado mais um tantinho assim. o que é me alegra é pensar em você aí em cima, eu te vejo sempre de branco, com alguma chave pendurada perto do bolso, os olhos azuis dando a cor do céu e as mãos manchadinhas sempre prontas pra nos guiar e abençoar. eu sinto tanto sua falta, vô. vem me visitar. 


5 comentários:

Marina Melo disse...

me emocionei mais uma vez.

Bruna Gabriela disse...

Vontade de chorar com esse post.
Sempre lembre dele desse modo, e ele ficará feliz.
As lembranças boas são as que alimentam a saudade.

Lindo texto, carregado de sentimento.

Jessica B. Laviere disse...

Me emocionei com o teu texto,pois fiz uma breve viagem no tempo,e lembrei do meu vô que também já ñ está comigo.
O tempo passa,a saudade aumenta mas tenho as melhores lembranças de uma época feliz e muito bem aproveitada.

Adoro a maneira de como escreve,sempre delicada é sempre uma delícia ler teus textos,estava com saudades de vir aqui,beijos e boa sorte!

Ana Luísa disse...

Amiga, você disse tudo o que eu queria dizer pra minha avó sem nunca ter achado as palavras...
E olha que ela também tinha sua poltrona oficial, e eu não consigo olhar pra ela também.
Lindo, maravilhoso, desde a primeira frase ao fim. Mas ainda acho que: "sei que Ele sabe das coisas, mas também sei que melhor seria se você tivesse ficado mais um tantinho assim." dominou meu coração!
Amo você!
Beijo

Ana Karina disse...

Profundamente emocionada...