segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

o dia de hoje

há três anos eu ficava devastada pois achava que o amor da minha vida tinha me deixado em frangalhos. descobri da pior forma possível que ele não merecia o meu amor, nem minha atenção, muito menos o tempo que dediquei para ele. foi horrível. o mundo dá voltas e há exatamente um ano eu ouvia, dentro de um navio, da boca do verdadeiro amor e homem da minha vida aquelas três palavrinhas mágicas: eu te amo. um sussuro. repete? euteamo. nunca me senti tão sublime, há quem queira me convencer que o paraíso é no céu, mas desde esse dia eu tive a certeza de que eles estava aqui na terra, morando nele e na boca dele dizendo essas três palavras para mim. euteamo. eu também. e como amo! e como nunca serei capaz de expressar tudo isso, sigo fazendo declarações constantes e repetindo essa frase sublime toda vez que posso. 

mas o que importa hoje não é isso. essa data já era importante antes de tudo isso e eu, que não acredito em coincidências, acho de uma fatalidade incrível que todos esses acontecimentos tão importantes tenham ocorrido neste dia. nem sempre pudemos comemorar juntas. às vezes eu estava na praia, muitas vezes viajando, mas sempre conseguimos manter contato. um mais forte que o outro. eu olho pra trás e lembro de você se queixando que nunca teve uma festa surpresa e eu sabia o quanto você sempre quis ter. foi por isso que mexi todos os pauzinhos possíveis pra te dar aquele susto no restaurante, boa parte da família presente, você ainda cheinha, seu rosto espantado enquanto se aproximava e se dava conta que era de fato a festa acontecendo ali. lembro que eu queria ter feito mais, e você, ranzinza que era, deve ter pensado dentro de si que não era bem aquilo, você queria uma festa mesmo, em casa, balões e bufê. eu não tinha grana pra isso. se fosse hoje acho até que dava pra fazer.

eu lembro que eu costumava te dar livros. foram uns três aniversários seguintes assim. te sondava e comprava. uma vez, te dei uma massagem, não sei se você lembra, um envelope avisando: você acaba de ganhar uma massagem. uma vez você me disse que foi seu melhor presente de aniversário. será que ainda é hoje?

eu sofro de um jeito além do doloroso quatro vezes por ano. o dia de aniversário do meu avô. o dia do falecimento dele. o dia do aniversário do tio. o dia do falecimento dele. mas como é que se enterra alguém que permanece vivo? como se mata alguém que não morreu? retificando: eu sofro de um jeito doloroso cinco vezes por ano. seu aniversário é um deles.

(porque nele você existe para o mundo e pra mim nunca mais [?])
(quanto tempo dura um nunca mais? )

Um comentário:

Tary Zottino disse...

Que texto dolorido, Flavinha </3 Não sei quanto tempo dura um nunca mais, mas vivo me perguntando isso. Quando descobrir me avisa? Beijos