sábado, 13 de setembro de 2014

eu rabisco o sol que a chuva apagou

meu amor por você foi devastação.

se eu tivesse que fazer imagem de nós acho que seria uma cidade toda destroçada, prédios destruídos por todos os cantos, poeira no ar, blocos e cacos no chão. acho que seríamos algum pedaço do Iraque, Berlim, Vietnã talvez, Nova Iorque no dia do atentado às torres gêmeas. nem sei se eu era cidade inteira antes de você chegar, só sei que você já veio bombardeando, me pondo abaixo, explodindo e implodindo com seus tanques de guerra, lançando à esmo sua bomba de hiroshima em mim. e eu me rendi.
nunca botei um soldado sequer pra me defender, exército então, o que é? te deixei me dominar e assisti a cada queda abismada, achando beleza em cada vidro quebrado, a cada pedaço que ia ao encontro do chão. eu amei você imediatamente, loucamente, perdidamente...sem mente, só coração. eu não precisava ser inteira para ser feliz. traduzindo: eu te amei pelo que você era, no caos que te constitui, compreendendo e enxergando todos os seus defeitos e mesmo assim nunca te exigindo ser perfeito. te amei no erro, completamente entregue. eu largava o mundo, eu me largava, erguia os braços em meio à destruição - ainda que você continuasse com os atentados. não me importava com tudo aquilo que você jamais poderia me dar. foi um amor genuíno e tão puro e tão nunca mais. eu te amei no pó. e se tenho uma certeza nessa vida é de que nunca mais - leia de novo - nunca mais eu vou amar assim tão devotamente.

e isso porque se você me destruiu, ele me constrói.

se eu tivesse que fazer imagem do que eu sou com ele, eu seria campo florido, urbanização ecológica e consciente, crianças andando de bicicleta na rua, o avô sentado com a neta no colo enquanto pesca um peixe no rio limpo. uma chácara ali, uma padaria na esquina e o mais bonito dos prédios sendo levantado bem aqui. eu enxergo cada tijolo, a argamassa, os blocos prontos para serem colocados em união. poderíamos ser Porto de Galinhas, Amsterdam, Indonésia, o vilarejo de Marisa Monte e Arnaldo Antunes. o que ainda não fizeram no mundo.
a fusão da calma e da construção, me elevando e me levantando, me erguendo sempre para o céu. não há pressa e há naturalidade apesar de guiados por um planejamento quase minucioso. não há poeira, não há destruição, nem sei o que é caos. traduzindo: meu amor por ele tem razão de ser. ele é bom, ele é lindo, ele é correto, dedicado e cheio de caráter. é amor forte, ainda que leve e suave. amor-proteção. segurança no medo. e se eu tenho uma certeza nessa vida é de que eu nunca te amei assim. é isso mesmo, - leia de novo - eu nunca vou amar nem você nem ninguém assim. esse é o tipo de amor que fica.

3 comentários:

Anônimo disse...

http://marteeparaosfracos.blogspot.com.br/2014/08/fotografa-explora-os-prazeres-da-vida.html?m=0

Ana Luísa disse...

Que texto forte e lindo, Flá. Como sempre. Como eu já disse, você me ganhou no título. E no resto você apenas abusou do que já tinha ganhado. Você comparou a paixão avassaladora e destrutiva com a sorte de um amor tranquilo, e gente, como a segunda opção é maravilhosa. E::: "eu amei você imediatamente, loucamente, perdidamente...sem mente" MORRI. Sua gênia.
Amo você!
Beijo

Renan Mendes disse...

Tropecei por aqui e gostei muito de ter me machucado com esse texto. Infelizmente (ou felizmente) já passei exatamente por isso, mas acabei não escrevendo textos tão bons quanto esse, rs.

:)