segunda-feira, 18 de agosto de 2014

asas

há mais de ano atrás eu escutei que meu destino era ser águia.
ouvi que eu era uma borboleta que tinha se acostumado a viver como lagarta. ouvi que eu era o navio mais bonito do cais e que eu tinha escolhido um capitão que nunca me colocou pro mar. ouvi que eu era flor que não se deixava florear. resumindo, ouvi que eu não era o que eu tinha nascido para ser.
eu quase esqueci daquelas palavras, porque dentre tantas outras coisas me disseram que eu encontraria um grande amor logo e que ele já estava pronto pra mim, eu é quem tinha que me aprontar pra ele. ouvi que esse grande amor viria pela amizade e que me faria entender que tudo o que eu tinha vivido até então não passava de um ensaio, um rabisco torto e mal feito daquilo que eu viria a viver. ouvi ainda que esse meu grande amor não era galego e que ele tinha uma forte ligação com viagens.
bom, esse grande amor não chegava tão rápido quanto me disseram que chegaria. e a cada um que me aparecia eu entendia (com dor no coração) que ainda não era o dito: tem viagem envolvida, mas é galego. tá pronto pra mim, mas não temos laço nenhum de amizade. eles simplesmente não eram. nenhum deles me deixava sequer ter algum questionamento de que poderiam um dia se enquadrar e vir a ser. e então eu vi você.
parado, de costas naquele lugar que eu nunca iria em sã consciência comparecer. quem  não acredita em destino nunca parou de fato para o ver acontecer. nos primeiros minutos já dizendo tudo aquilo que eu queria ouvir um homem dizer. você estava pronto e eu -finalmente! - estava também. fomos nos (re)conhecendo e lembrei que só te conheci porque uma amiga me apresentou tantos anos atrás. laços de amizade reconhecidos. cabelos pretos, moreno e alto. nada galego. e o resto eu entendi com o tempo. você me liga sem eu pedir, manda músicas incríveis logo pela manhã pra me dar bom dia e me fazer sorrir, faz minha alma se encher de uma alegria enorme todo santo dia me fazendo entender o que é de fato ser feliz. você veio num dia sete e este sempre foi meu número da sorte.
e então, como quem não quer nada, eu me lembrei de todas aquelas palavras que eu tinha esquecido. do fato de eu ser águia, de ser borboleta, de ser navio no cais, flor no campo. você me abriu. você me mostra diariamente que eu tenho asas, aponta para elas e me incentiva a voar. você é o capitão certo que me colocou pro mar. você me faz olhar no espelho e desabrochar. você me faz viajar. me faz entender que dá pra ser feliz sozinha, mas que acompanhada é melhor ainda. você me olha nos olhos e não me diz que precisa conhecer o mundo. enlaça suas mãos nas minhas e diz me passando toda a confiança (e segurança e amor e paz): eu vou com você.

4 comentários:

Bárbara disse...

Me emocionei. Que texto lindo, leve e verdadeiro. Voltei um pouco pra trás lendo ele é como você descreveu com riqueza em detalhes do que te falaram, eu mesma nunca esqueci... Sempre concordei o quão você era muito mais do que de fato se mostrava...

E hoje está aí... Me enchendo de orgulho! Bendito seja esse capitão.... Que veio pra somar ainda mais felicidades!

Eu te amo muito. Soul Sister....

Gabriela Freitas disse...

Cada vez que eu leio uma história assim crio mais uma pontinha de fé no amor, não importa o quanto demore, um dia da certo, e é sempre com quem tem de dar

http://www.novaperspectiva.com/

Letícia disse...

Felicidade é poder ver a sua felicidade!
Eu sempre soube que você merecia tudo isso...

Agora eu também estou completa. Pois você está.

Love you always.

Amanda Souza disse...

Como sempre, texto gostosíssimo! É maravilhoso chegar aqui e encontrar palavras de tanta pureza e leveza. Dá paz e inspira.