domingo, 24 de novembro de 2013

abandono de causa

não! eu não posso te esperar mais um pouco! eu... não pude te esperar mais um pouco!

você sabe... teve um tempo em que eu pensei que eu conseguiria. que eu poderia ir andar no parque por exemplo, crescer na minha carreira, pegar alguns diplomas e me divertir com alguns rapazes por aí. e neste meio tempo, enquanto eu fazia tudo isso, permanecer esperando por você. eu pensei tanto, eu tinha tanta certeza que isto era exatamente o que eu ia fazer, eu tinha tanta certeza que era isso. mas sabe de uma coisa? nós estamos ficando velhos. tanto eu quanto você. é isso mesmo, nós não somos mais aqueles adolescentes. e envelhecer é uma droga, é uma merda. é se olhar por dentro e perceber que algumas ideias não cabem mais e que a gente deseja coisas que não desejava antes e é tudo uma confusão enorme. e é por isso que olhar pra você é tão angustiante, porque esse rosto ainda me traz a certeza de quem eu era e de como a vida era fácil há dez anos atrás. mas você sabe, a diferença entre nós dois é que eu consegui pegar a única coisa boa que envelhecer traz pra gente. a única porcaria de vantagem: mudar as vezes é bom. que tudo bem querer coisas que a gente não queria antes e que a gente pode fazer isso a qualquer momento, traçar uma decisão e correr atrás. a gente consegue andar com as próprias pernas e isso as vezes pode ser muito bom. e é por isso que eu olho pra você agora e sinto tudo isso que eu estou sentindo. não, eu não posso mais esperar por você, porque mesmo se eu fizesse isso, quando você finalmente chegasse você teria que aprender tudo isso sozinho e entender tudo isso que eu entendi enquanto andava no parque, ganhava diplomas e me divertia com alguns rapazes. nós nunca ficaríamos no mesmo patamar, no mesmo palanque, no mesmo palco. e é por isso que eu te digo com toda a certeza torta que a vida adulta me ensinou a ter. eu não te amo mais. eu amo quem eu fui com você. mais do que isso. eu amo aquilo que você foi pra mim - e não pode ser mais. 

Um comentário:

Tary disse...

Apenas chorei. Amiga, queria ser como você, que se despe desse jeito através das palavras. Tenho tanto medo de fazer isso! Acho que, apesar da dor que senti nesse texto, o final dele é positivo, cheio de auto-descoberta. Transições machucam, mas fazem com que a gente conheça uma parte de nós que talvez estivesse escondida (talvez por nós mesmos?). Sempre termino de ler seus posts querendo te abraçar. Precisamos providenciar isso para o ano que vem, né? Amo você!