terça-feira, 25 de junho de 2013

como uma ideia que existe na cabeça e não tem a menor pretensão de acontecer

acho que eu tinha uns sete anos a primeira vez que me vi casada com você.

deve ter sido na primeira festa junina que colocaram a gente de noivinhos, que eu fui de noiva e você chegou atrasado. você sempre chegou atrasado. eu me lembro que foi mais ou menos nessa época que eu parei de implicar cada vez que alguém cantava um "tão namorando. tão namorando!". dos dez aos doze eu posso ter dado uma certa desencanada, mas a  verdade é que aos treze eu já comecei a acreditar, secretamente, em uma teoria: a de que de fato casaríamos. eu acho que eu nunca me permiti acreditar nela inteiramente, mas a verdade é que era uma ideia dessas que vem e passam mas que nunca passou.
"nem quando você esteve com ele?" quase consigo ouvir você perguntar. e eu te respondo  mentalmente em diálogos que nunca existiram aqui fora, mas que sempre permearam aqui dentro com tanta força que as vezes quase confundo vontade com realidade:  nem quando eu estive com ele. veja bem, eu realmente acreditei, eu piamente acreditava que me casaria com ele mas essa era uma ideia que eu deixava existir, eu me permitia florear, imaginar a igreja a expressão dele me vendo entrar no altar. você não. meu casamento com você era um sentimento tão presente e tão escondido, que era quase como uma traição, tamanho o susto que essa semelhança com a certeza me causava.


eu ainda não deixo esse sentimento vir com força. sei o quanto meu coração palpita cada vez que escuto esta insanidade vindo da boca de qualquer amiga, até daquela que nos viu criança e sempre insistiu em dizer que era capaz de ver o filho que teríamos (teremos?), mas só o que deixo escapar da boca é um "claro que não, a gente sempre se desencontrou, nunca deu certo, ele tem uma namorada, tá do outro lado do mundo, ela é linda, ele merece ser feliz" enquanto esse sentimento obscuro me grita em cada poro do corpo "mas vocês nunca se perderam, é uma amizade tão certa, vocês tinham que viver outros amores para ter certeza do que serão, quem se desencontra demais é porque quando encontra vai viver um turbilhão". mas eu me silencio, chacoalho a cabeça e me asseguro de que tudo isso é só parte louca do meu romantismo idiota e da minha carência exacerbada. é um sentimento que não se diz. feito uma ideia que existe na cabeça e não tem a menor pretensão de acontecer. 

11 comentários:

Bruna Gabriela disse...

O tempo é melhor resposta pra tudo. Mas a menor pretensão de acontecer, não significa que nunca possa acontecer. Pode estar escrito, e se tiver vai acontecer. Porque apenas uma ideia vinda desde 7 anos de idade tem alguma pretensão, mesmo secreta dentro de você, ela pode acontecer.

Lê disse...

Mais uma vez: lindo.
Ai como é delicioso poder ler seus textos!

Priscilla Way disse...

Será mesmo que não tem pretensão de acontecer?
ou é só o medo do "e se amanhã não for nada disso?"

(:


www.amantesdiamantes.blogspot.com

Jéssica Teles disse...

O blog tá lindo *_*
e eu já estou ouvindo - e curtiiindo! - Mumford and Sons, haha! É bom (: e eu estou na primeira música que apareceu aqui: Little Lion Man.

beijo, beijo!

Goiabasays

klebin klebits disse...

e quando a gente nunca se imagina casando nem com ninguém?

Milla Pupo disse...

O problema das ideias não executadas, é que elas tendem a gravitacionar na vida por mais tempo do que deveria...

Elisa Mello disse...

Isso que você escreve é verdade mesmo? :O
Pois eu achei muito lindoo.

Dancer disse...

Que belo texto!
Vim retribuir a visitinha e me deparo com palavras tão envolventes. E magicamente, tão semelhantes a certas situações da minha vida.

Muito semelhantes mesmo.
Adorei.

Gaby Soncini disse...

Outro texto que faz meu coração bater todo acelerado aqui, lindo.

Gostaria de um livro seu!

Beijos!

Letícia Giraldelli disse...

Um beijo pra quem está aqui do outro lado fazendo figa com os dedos, pra que vocês fiquem juntos.

Bárbara Barbosa disse...

Já até sabe o que penso ne? rsrsrs

Luuuuv