sexta-feira, 17 de maio de 2013

para um coração partido

já faz quase quatro meses, mas se paro para lembrar não é preciso esforço para reviver com facilidade aquele dia fatídico.

lembro-me até da roupa que eu estava usando (uma camiseta gap azul e uma calça jeans surrada - engraçado perceber que não as usei mais desde então) quando descobri que não seria mais a namorada dele. eu estava parada em frente a sapateira do quarto e ouvia louca e consecutivamente a gravação desastrada que me provava a cada segundo que a solteirice era uma ordem se eu tinha um pingo de amor próprio. usei a última gota que me sobrava. se eu não tiver cuidado, sou capaz de reviver a sensação.
"meu mundo caiu", a frase célebre da música da Maísa é a melhor maneira de descrevê-la. o negócio foi físico, eu conseguia cada sentindo do mundo espremendo cada esfera do meu corpo com seu peso incalculável, minha temperatura endoidecida ora caía descontrolada, ora subia confusa, fazendo minha cabeça girar num ritmo alucinante. meu estômago embrulhou, tive acesso de tosse e ânsia de vômito. tudo em mim implorava, para Deus, para ele, para eu mesma até : diz que não é verdade, diz que não é verdade. mas era. eu tinha acabado de ver ir embora não só o amor da minha vida mas todos os planos que havia projetado com ele. de repente, eu não tinha mais futuro.
e há quem pense que este foi o pior momento, mas não foi. o pior momento do fim de um relacionamento não é a hora do fim mas o logo depois do fim. consigo até dizer qual é o minuto mais insuportável: aquele breve momento em que se acorda no dia seguinte, quando abrimos os olhos e percebemos, para nossa surpresa e desgosto, que o pesadelo mora na vida real. é um dia miserável onde a fome não vem e o choque faz-se presente a cada respiração e o medo... o medo é aterrorizante. este, mais do que um momento, é um lugar: o tal do fundo do poço.

mas a partir daí a curva muda. você levanta os olhos e por mais insuportável que seja, vê os raios de sol lá fora e compreende que realmente a vida continua. nenhum dia será pior que o dia depois do fim. a cada dia que se passa a tristeza diminui, nem que seja um milímetro. não há progressão aritmética e calculada aqui: cada dia a tristeza se move de uma maneira imprevisível. há dias em que ela se esvai bons milímetros. outros, ótimos que ela se vai por três centímetros e dias excelentes são aqueles em que a dor se afasta cerca de um metro. metros são raros. quilômetros são impossíveis.
e então quando você menos espera está substituindo a dor pelo amor. a dor que sentia por ele, pelo amor por você. você entende o jogo e se esforça pois a cada milímetro que a tristeza se afasta, você ganha um milímetro de amor próprio. por isso que milímetros são bons, centímetros são ótimos e metros são excelentes. que pena, quilômetros são impossíveis. e então você se recupera, se reergue, se vê maior no espelho. entende que dá pra viver sem o outro e por um tempo até insiste na ideia de que viver com ele era melhor. mas você passa a gostar da sua companhia. volta a ser sua. e entende finalmente, que dá um orgulho danado de ver que está está escrevendo sua nova vida (ainda que recolhendo alguns pedaços) completa e inteiramente sozinha. 



15 comentários:

MF Probst disse...

Eu ne vi tanto nessas linhas, moça. No começo chegou a ser bem palpável a tua falta de ar, mas o final ficou tão levinho... que bom que conseguimos nos recuperar sempre. Logo o amor bate de volta. ♡

Bjinho

Larissa L. disse...

Vc soube escrever certinho e exatamente tudo o que eu senti também, Flá....
É muito difícil e por esses dias ando até nostálgica, mas é isso, vamos criando nossa vida sozinhas e apreciando nossa própria companhia e, aos poucos, amor nosso, amor dos outros vai surgindo!
Um beijo enorme querida e boa sorte pra nós nessa luta!

Ana Luísa disse...

Sabia que esse texto seria incrível, amiga. E realmente "Nenhum dia mé pior que o dia depois do fim" e depois do pior dia, a vantagem é que só tem como melhorar!
Amo você!
Beijo

รяª Nathalia disse...

Nossa, até parece eu escrevendo.
É uma sensação horrível é como se o mundo tivesse acabado e você vai se acabando aos poucos.
Passei por isso a pouco tempo, até escrevi rs http://minhaformadeexpressao.blogspot.com.br/2013/04/acabou-mas-nao-estou-acabada.html


Hoje me sinto bem, não sinto mais a falta dele.

Nathália Souza disse...

Eu fico uns tempos fora, e quando volto pra cá, você escreve minha vida em um texto.
É tão dolorido essa coisa de se ver sozinha no mundo de uma hora pra outra né?!
Mas tudo é tão mais real quando o tempo chega. Que chegue logo!
Parabéns pela lindeza, moça.

Cássia Vicentin disse...

Já passei por esse tipo de situação, e olha que nem namorados nós eramos: O lance era um 'mais ou menos namorados', sem preocupações, cobranças... sem ninguém saber. Foi bom enquanto durou e foi lamentável quando eu descobri - sozinha - de que a gente não estava mais juntos. Doeu sim, fiquei doente e foi uma época dificil (principalmente pq eu não podia desabafar sobre o assunto com ninguém). Mas passou, e a vida estava guardando alguém melhor para mim.
Ótimo texto ;)

Kamilla Barcelos disse...

A sensação de que "Meu mundo caiu" e mudanças de planos, é absolutamente angustiante. Mas ainda acho que passar por tudo isso, nos faz mais fortes. E como você muito bem disse, faz trocar a dor, pelo amor por nós mesmo.

Malu Azzoni disse...

E na hora a gente acha que ninguém sabe como a gente se sente, mas olha aí uma prova de que a desgraça não é particular.
"nenhum dia será pior que o dia depois do fim"
amei o texto!

Paloma disse...

No começo dói muito muito mesmo. Mas com o passar do tempo, você começa a achar até coisas boas. Toda situação tem suas vantagens, só que algumas vezes a gente só enxega quando passa para o outro lado.
E o importante é seguir em frente a cada dia.
Beijos.

Gabriela, disse...

No começo a coisa é enlouquecedora, é doentio, é doído pra caramba. E parece que nunca vai passar, e parece que tudo começa a andar devagar e tudo que as pessoas falam saem em câmera lenta e você nem presta atenção, porque está com a cabeça em outro lugar. É terrível. Mas quando a luz finalmente brilha no fim do túnel é maravilhoso. Um novo ar, uma nova visão do que você é e do que você pode ser sozinha. Um novo amor mesmo, por você, inteiramente dessa vez.
Texto sensacional, Flá! <3

Gaby Soncini disse...

Seus textos guardam um romance, uma intensidade, algo tão bonito de se ler, que ao terminar, ficamos com a cena gravada nos olhos, e imaginamos mais e mais da história.

Beijos.

Bárbara disse...

Eu preciso dizer que esse texto é sensacional? Juro!! Me emocionei.
VSou sua fã inteiramente. rs
te amo muito. mais que ontem e menos que amanhÃ!!!

Admiro tanto você!

Isabel disse...

Porra, isso é chato. Nunca passei por uma situação nesse estilo (falta de experiência manda lembrança) mas a tua escrita é tão boa que passa bem a dor...

Bruna Gabriela disse...

Tanto tempo sem vir aqui, e me encontro com um texto verdadeiro desses. Me emocionei um bocadinho.
A vida é assim, e conhecer a gente é a melhor fase da vida, assim estaremos mais abertas e maduras a um novo amor.

Ariana Way disse...

Amei seu blog *-*
Se puder dá uma passada no meu, eu estou retomando ele que estava meio parado. lamentosdeumalunatica.blogspot.com


beijos :3