terça-feira, 30 de abril de 2013

pela luz dos olhos teus


foi tão surreal te encontrar ali.

te dar um abraço, sentir seu cheiro e reparar no seu cabelo novo. ver com detalhes as suas tatuagens gigantescas, sua barba loira por fazer, os dentes tão alinhadinhos outrora camuflados por aparelho. a voz rouca. 
eu tenho tanta coisa pra dizer. eu tive tanta vontade de te arrastar não sei pra onde, não sei pra qual lugar, mas pra longe, pro outro lado do mundo talvez, ou quem sabe pra um banheiro qualquer - que deles sempre conhecemos bem- e te falar com beijos, sentir seus lábios aparentemente finos tomando forma, desenhando felicidade nos meus. mas então eu me lembrei que você vai pra longe mesmo e vai sem mim porque nunca houve timing pior que o nosso e me esforcei de verdade pra abrir meu coração pra quem vai dividir com você as próximas horas, as próximas semanas, meses e anos. e não me arrependi, porque ao contrário de histórias bonitas que acontecem em novelas e livros, a terceira pessoa era amável, linda, doce e carinhosa. tudo aquilo que você merece ter. você percebeu. você sabe disso. e por mais maluco que isso possa parecer e sei que o é, por mais estranho que isso seja quando coloco em palavras, eu fiquei muito feliz por vocês e desejei mais que de coração, mas de alma que vocês fossem (e sejam!) felizes.
eu nunca consegui botar nome nesse sentimento, infância, adolescência e agora não haveria de ser. parece que quanto mais crescemos mais complexo fica. eu te amo. isso basta. como amigo, como amante, como companheiro, namorado, sei lá. de nenhuma dessas formas, e de todas elas. mas eu te amo. e as vezes eu acho que você sabe disso. as vezes acho até que sente isso. sinto naquele segundo mais demorado do abraço, no toque mais comprido do beijo e no olhar que não consegue se sustentar.


há alguma coisa nesse nosso olhar. é tão bom que chega a doer. eu não ouso olhá-lo nos olhos mais que cinco segundos (e você também não) e por mais que desconheça as razões sei que essa fuga tem a ver com o medo da falta de controle. quanto mais seguro o olhar mais o sinto doer, porque é como se nele tivessem dois ímãs opostos que não se aguentam assim à distância. "dói olhar pra você, sabia?" você me perguntou. e eu sei. dói e é tão bom. é porque no olhar a gente diz o que não consegue em texto, em mensagem de texto, em conversas no almoço ou em ligações pra dizer "só liguei pra saber se tudo bem". no olhar a gente diz esse amor maluco que não se diz em palavras mas que se sente n'alma com uma força descomunal. esse olhar que ficou tanto tempo distante. esse olhar que agora vai pra longe. vai bem, vai em paz. mas sempre fica. 

6 comentários:

Antônio LaCarne disse...

texto lindo lindo lindo. e eu queria, sinceramente poder vivenciar isso, mas pena que ando seco e frio :(

Gaby Soncini disse...

Puxa, senti seu texto na alma, todo esse amor.

Lindo, muito lindo.

Beijos.

Helena disse...

Será que você já escreveu um livro ou tem vontade? Pois devia!
E sim, aqueles livros que a gente lê sem dar o devido valor, já fiz isso algumas vezes haha
Beijos

Helena
https://hassdc.wordpress.com

Gabriela, disse...

Uou!
Que loucura como eu me identifiquei com esse texto, fiquei até com medo.
Lindo!

Letícia Giraldelli disse...

Flazinha, que amor profundo e sincero!
Amar assim é tão saudável, cara.
Porque você simplesmente ama, tendo ou não a pessoa.

"Eu gosto de você de graça...Eu gosto de você atoa..."

Arianne Barromeü disse...

Flá, chega eu li num ritmo tranquilo/ amoroso/ afetuoso. Sentir um amor desses não tem barreiras nem palavras certas para ser descrito. Como você falou durante o texto... A gente não consegue por nome, eu acho que só sentimos mesmo. Nem sentir direito a gente sente.. É uma avalanche e ficamos a toa sorrindo e querendo mais amor.

Amei o seu texto, moça. O seu blog já está dentro dos meus favoritos.
Beijos, Arih.
(eppifania.blogspot.com.br)