segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

o trem depois da partida


controlei os meus dedos o quanto pude, mas quando vi já estava na sua página do facebook.

senti o coração bater forte ao assistir a sua vida de longe, passeando pelo seu álbum de fotografias e tentando ver por quais estações você passou. salvador, belo horizonte, barcelona, roma e paris. seu sorriso manifestado em cada pedaço do corpo, nos olhos, na boca, no abraço do indigente, no v que faz com os dedos, ou na paz de uma foto tranquila enquanto você escuta alguma música com fone de ouvido e gorro carmim. sua cachorra aparece em uma foto e fico surpresa em como sua sobrinha cresceu, mas meu coração perde ainda mais o descompasso quando noto pessoas desconhecidas em cada clique de foto virada. quem são? aonde você as conheceu? o que vocês estão fazendo? por que se tornaram amigos/ficantes/colegas/amantes? meu coração aperta e dói e já não sei mais se ele mora do lado esquerdo ou direito. a verdade martela minha alma dizendo que agora eu sou para você, somente uma estranjeira. acompanhando sua vida como qualquer um desses novos amigos que te adiciona em uma rede social pra descobrir quem você é. eu sei quem você é. mas de alguma forma, hoje já não sei tudo. não sei se você ainda quer conhecer bali, ou se conheceu, se gostou. não sei se você aprendeu a tocar titanic no violão, se ainda gosta daquele suco do bar do joão ou se ainda quer ter uma filha chamada lilly. ensiná-la a surfar. se quando conheceu a moça da foto do barco também disse à ela que queria ter uma filha e que imaginava que ela teria o rosto e o jeito dela. lembro dos meus sonhos, e vejo que hoje são miragens. quimera. 

e aí olhando suas fotos, vejo que hoje não passo de uma forasteira te vendo girar, viver, te observando, voyeur, coadjuvante. nem isso. não participante. dói. estou quase fechando a última foto - aquela em que você aparece de costas assistindo o por do sol - depois de vê-la pela enésima vez quando reparo na legenda. "hello, sunshine".  simples e fora do nosso contexto mas é quase como se eu estivesse ali, ao lado, com você. e é essa a sua imagem que tenho gravada na minha vida. meu trem preferido, indo, depois da partida.

ps: demorou mas chegou! este post faz parte do letra e som, o primeiro do ano, resultado da votação destas últimas semanas. é inspirado na música extranjero da maria gadú que você pode ouvir aqui. em breve abro uma nova e atualizo tudo! espero que gostem!

17 comentários:

Letícia Giraldelli disse...

Esse seu texto de hoje é um pedaço da inspiração que eu queria ter quando postei a minha mera história.

Ficou demais e eu puder ver como um filme passando, imaginando cada detalhe!

Bravo! Belo! Beijos!

Ana Luísa disse...

Ai que dor no coração imaginar tudo isso aí.. Sei bem o que é..

Nina disse...

Todos nós somos um pouco stalkers, é verdade. Mas vigiar a pessoa que amamos não é pecado, se queremos o bem dela. Um abraço.

Deyse Batista disse...

Flá, há muito, muito tempo não visito o seu blog e não faço ideia do motivo pelo qual perdi esse costume. Tava com saudade das suas palavras e como elas são carregadas de beleza - cá entre nós, eu acho a dor algo muito bonito quando posto no papel. Com certeza vou te ler mais vezes :) Beijos.

aline disse...

nossa, flá, que lindo!
até me arrepiei lendo as últimas linhas...

Gabriela Freitas disse...

Nossa Flá, lindo.
Me fez lembrar de alguém, com um pouco de saudades, muito na verdade.

Mayra Borges disse...

Coisa difícil essa de se tornar um extranjeiro na vida de alguém que se deseja ser mais. Suas palavras me encantam demais, a doçura no mais amargo de uma saudade presente, as palavras quentes de um sentimento quase frio. Você escreve demais.

www.eraoutravezamor.blogspot.com

Thay disse...

Flá, que lindo! Sério, como pode um texto seu falar tão de perto comigo? Não estou nesse momento mais (ainda bem, pq stalkear me matava aos pouquinhos!), mas lembro nitidamente de sentir essa mistura de sentimentos... é ruim assistir a vida de quem nos importamos. Assistir mesmo, sem poder participar e compartilhar. E não só em casos de amor, mas de amigos que não mais o são, por exemplo.

Ah, e o que aconteceu com meu blog foi um somatório de erros do wordpress, sono e trabalho! Não conseguia arrumar o erro e estava sempre cansada ou sem vontade de me dedicar. Mas ano novo, volta o blog! E não pretendo abandoná-lo tão cedo. <3

Beijo!

Lê Costa disse...

Amei!!! simplesmente lindo!

Nati disse...

Eu to sempre olhando fotos de pessoas que me abandonaram e/ou que eu de alguma forma abandonei, não sei, mas olho mesmo assim e fico meio triste e meio feliz, lembrando de todos os momentos que vivemos um dia no passado. Beijos

Bruna Gabriela disse...

Abriu o ano com chave de ouro.]
Amei!
Lindo demais.

marcela disse...

Por imaginar a dor que é acompanhar esses momentos de longe, que eu me proibo de visitar perfil de facebook de certas pessoas pq eu sei que vai doer. E eu sou fraca p/ dor. Beijos!

Anônimo disse...

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Amanda Souza disse...

Que saudade esse texto me deu de alguém! E ao mesmo tempo, doeu. Como dó virar apenas uma conhecida na vida de alguém que já foi tão importante, tão indispensável. As voltas que a vida dá...
Beijinhos

Hipérboles
@hiperbolismos

Por que você faz poema? disse...

Prefiro permanecer fora do Feicebuque, e dentro de algum trem.

Prisca, insana criança disse...

Seus textos são os mais lindos que tenho lido nos últimos tempos...
Continue escrevendo...

Jéssica Teles disse...

Agora que choveu, a vida fica mais normal, rs (:
feliz2013 tbm!

Beijo, beijo!

Goiabasays