sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

gangorra


estou neste lugar sem nome que fica entre a agonia, a expectativa e a reza.

um terapeuta fala isso pra personagem sarah em brothers and sisters enquanto ela se abre de dor em meio à soluços e choros e é neste momento que a arte imita a  vida porque os problemas da sarah são outros, completamente adversos aos meus, porém aquilo que ela sente e principalmente este lugar que ela habita é o mesmo que o meu. a gente se esforça, a gente dá o melhor de si mas as vezes parece não ser o suficiente, para a vida pelo menos. renato russo me entendia quando cantava que o que ele mais queria era provar pra todo mundo que ele não precisava provar nada pra ninguém. queria tanto saber se ele conseguiu. e se sim, como? e se não, como foi? eu me cobro demais e isso não passa. tem tanta gente aos 23 anos que não trabalha nada e mama às custas de pai e eu os invejo tanto! não o fato de mamarem nos pais mas de não se importarem com isso de lidarem com isso como se fosse ok, e ainda pedir dinheiro pra sair de final de semana, tomar uma birita, pegar namorada do amigo. como esse povo consegue? e mais importante: por que eu não consigo?

tá tudo traçado e se eu for parar pra pensar financeiramente 2013 não vai ser de todo ruim financeiramente, mas o que me assusta é o ócio é o tempo livre e é os conselhos dos mais velhos que dizem que a gente tem que agarrar todas oportunidades agora porque depois... depois o que? pra não virar um bando de gente frustrada que dá conselho para os novos pra tentar sanar a trajetória que traçou? sei lá, acho que depois dos quarenta todo mundo faria uma centena de coisas diferentes, e não conheço ninguém que não se frustrou na vida - há quem diga que nunca, mas eu nunca acredito.

mas sabe qual o meu maior medo? ficar pra sempre nessa gangorra. arrastar esse vício doído de felicidade e melancolia que marcou meu 2012 para o novo ano que nasce e viver como gente que tem mais de quarenta e lamenta frustrações da juventude. tenho 23 anos e às vezes me sinto igual à eles. alguém me traz as crises de adolescência de volta, porque as da adultescêcia estão f*%#!.

11 comentários:

Ana Luísa disse...

Olha, se você descobrir se Renato conseguiu ou não, por favor, me conta! Meu sonho é provar pra todo mundo que eu não preciso provar nada pra ninguém! E que sonho difícil de alcançar, meu Deus!

Tay disse...

A gente até quer não provar nada pra ninguém. Mas isso que supostamente não queremos provar mexe com a gente. Senão, nem precisava se preocupar.
Melancolia faz parte. Frustrações também. É a vida, com coisas ruins e boas.

Sofia Carolina disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Sofia Carolina disse...

Frustações fazem parte da vida, tristeza, estas coisas ditas ruins. Eu acho que em 2013 (e assim como em 2014, e assim vai), temos que fazer diferente, para ser diferente (meio clichê isso, mas é verdade).
E eu sou meio como Renato Russo também! Se souber fazer isso, me conte viu?

Feliz natal e feliz ano novo, e lembre-se: o ano novo, é você quem faz!

Luísa Chaves disse...

Acho que muitas pessoas poderiam ter tido uma conversa séria com o Renato sobre não precisar provar nada a elas, né?
Infelizmente, nem as pessoas nem os acontecimentos sempre saem como queremos, então o jeito é conviver com isso e tentar fazer melhor a cada dia!
Melancolia faz parte e crises de adolescência (independente de qual casa decimal voce esteja) também fazem.
O jeito é trabalhar por um 2013 melhor e dar um jeito dessa gangorra acalmar um pouco!

Tha'li disse...

Também queria essa formula de viver sem precisar provar nada... Acho q a existência é um grande mistério.

aline disse...

querida, devo dizer que enfrento alguns dramas assim também... e, olha, que dói. eu queria ser esse tipo de pessoa que ainda pede dinheiro pra birita, no final de semana, mas a vida é tão diferente pra cada um.

e quando os 24 chegarem, assim como chegaram pra mim, as coisas não vão ter mudado assim...

R. Moreno disse...

Será que isto pode ser chamado de "crise dos vinte"? Já estou saltando para os vinte e um, mas coisas do tipo me atordoam, inclusive essa questão de ter que provar algo para alguém - minha família, no caso.

Thais I. disse...

Eu acho que disso da gangorra é uma coisa meio que inerente, independente da idade... a gente tá sempre nessas, de ficar se questionando, se lamentando, se reinventando a partir daí... no fim das contas é bom. e dá tudo certo :)

Larissa Bello disse...

Considero os momentos de crises pessoais como processos de amadurecimento e crescimento. Não se prenda e nem se referencie nos outros. Vivencie a sua experiência, pois ela é única e é só sua. Seus questionamentos podem parecer enormes e insolúveis agora, mas pode ter certeza que lhes são necessários para se percorrer e se chegar a determinadas conclusões que em breve virão.

Tenha um Feliz Natal!
Bjos

Beatriz disse...

Acho que a vida é isso, é a junção de momentos alegres, melancólicos, tristes, emocionantes e etc... A gente só tem que aprender a lidar com esses momentos, tentando, sempre, colocar a felicidade como lema, é difícil, mas a gente está aqui pra tentar...
Que o ano que vem seja repleto de gangorras, mas que você saiba aproveitar cada subida e descida que a vida dá, de forma positiva. Muitas coisas boas e felicidade, sempre!