segunda-feira, 29 de outubro de 2012

tijolo de construção

sinto os muros subindo ao meu redor.

não consigo evitar. eles crescem numa velocidade assustadora e quando vejo estou acuada, desesperada e com medo. é um susto dos grandes, quase como um pânico, perco a respiração, tenho náusea, enxaqueca. tudo ao mesmo tempo, reflexo da angústia que me diz coisas desconexas como "eu não quero" ou "você vai ficar aí sozinha" e "você não consegue". quero xingar quem me diz isso, quero perguntar quem ele pensa que é, quero dizer por que me odeia tanto, por que quer me isolar do mundo, mas não encontro ninguém. tem uma janela com sol no meio do cúbiculo em que me encontro e é nela que eu encontro a paz, a minha casa tão querida, as carteiras tão minhas, mas deles, o chá no parapeito as escadarias que não tem mais borracha preta no chão mas que eu sigo enxergando. quero estar nela e só nela, mas ela é só uma janela e não faz sentido existir janela sem casa. é uma contradição. eu sou uma contradição. digo que sim para logo em seguida dizer não e vice versa quero me esconder do mundo mas quero ser a rainha da festa. tenho raiva de mim e das minhas fraquezas, das minhas incongruências, das arestas mal acabadas, das quinas que fiz e me ralam toda no meio da jornada. se tivesse um espelho aqui acho que me enxergaria quadrada. tenho cinco roxos na perna direita porque já me belisquei seis vezes pedindo para estar sonhando, tendo pesadelo. o silêncio faz meu pensamento virar grito e a realidade dói. estou fechada num cubículo, tem muro nos quatro lados e quero desesperadamente dormir quando percebo que sou eu quem tenho os tijolos e o cimento na mão.

14 comentários:

Ana disse...

escreves tão bem :o

Amanda Souza disse...

Acho que todo mundo tem essa fase de se afastar do mundo. A gente vai e volta... e fica nessa. Normal. É um tempo de reflexão e quem não se contradiz, que atire a primeira pedra! A gente se contradiz o tempo inteiro, se prestar atenção. Isso é do ser humano.
Beijinhos

hiperbolismos.blogspot.com

Larissa Bello disse...

Sim, somos nós quem construimos os nossos próprios muros. No entanto, acredito que não devemos olhar para eles não de uma forma claustrofóbica e sim como uma segurança. E é você quem decide passar pelas brechas. Portanto, o poder é seu, sempre seu!

Bjos

@dudsparrow disse...

oi querida,
lindo texto. As vezes o isolamento serve pra que nos autoconheçamos e que possamos aprender com os proprios erros e acertos :)
boa semana
;*

dudsparrow.blogspot.com.br

Bruna Gabriela disse...

Realmente somos nós que estamos com os tijolos e o cimento na mão e somos nós também que ao invés de construir muros podemos construir escadas para que possamos alcançar o que queremos, e também construir janelas para que possamos enxergar o que há de bom no mundo lá fora.


Isso passa, e vc vai saber como utilizar melhor os tijolos e o cimento.

Amanda Inácio disse...

Lindo texto! Você escreve muito bem!!
Beijinhos

Am
http://www.vinteepoucos.com.br/

Nanda Torres disse...

Nós acabamos construindo nossos proprios muros não é mesmo?
Linda, muuuuito obg pela visita fofa!
Volte sempre!
beijo beijos <3

http://lladodedentro.blogspot.com.br/

Autumn disse...

Lindo texto <3
Adorei como passou a sensação de estar sendo sufocada, presa por si mesma. Somos nós afinal as nossas principais amarras, apenas nós podemos nos libertar de verdade.

Jéssica Teles disse...

a gente complica demais, dá voltas no que deveria ser prático.
Mas como sempre, você facilita nos seus textos, lindos!

Beijo, beijo!

http://goiabasays.blogspot.com

Nicole disse...

to chocada. teus textos são incríveis!

Natália disse...

Amei o post e a mensagem que ele passa. Principalmente no final. Mostra que nós temos o total controle da nossa vida, só que, na maioria das vezes, não percebemos.
Estou seguindo o blog.

Beijos,
Natália - Pitorescamente

Emilie S. disse...

"...quando percebo que sou eu quem tenho os tijolos e o cimento na mão"

Era isso o que eu ia dizer...às vezes, somos nós que estamos edificando um muro ao nosso redor =T
~Emilie Escreve~ FanpageTwitter

Maria Paula Vieira disse...

Engraçado como somos nós mesmo que edificamos nossos muros... Muito bonito o texto!
E obrigada pela visita no meu blog, te respondi lá. :)
Beijos!

Bárbara Barbosa disse...

Nós somos muito maiores do que alguns medos que as vezes custam a sair dos nossos pensamentos. e fases assim, o melhor a fazer é se apegar com pessoas queridas e rezar. Rezar pra Deus iluminar a nossa cabecinha e deixar que fique claro o quanto nosso medo é pequenininho.

"Avance sempre. Pequenos rios sempre se convertem em grandes riachos"