quinta-feira, 4 de outubro de 2012

sabores


o passado nuca é saboreado como o presente.

quando olhamos para trás e nos percebemos na linha do tempo do foi acabamos sempre nos envolvendo com as emoções do momento, com as circunstâncias do depois e quando vemos não sentimos o gosto daquela memória tal como ela foi. ela sempre acaba parecendo um pouco mais azeda ou doce do que realmente aconteceu. perdemos o controle do tempo assim que passamos por ele - se é que o que temos no presente pode ser realmente chamado de controle. minha memória é de ouro. isso tende a ser bom na grande maior parte do tempo, uma vez que consigo sentir o cheiro de uma amiga que foi pra não voltar mais, de uma época marcante, de uma cidade que eu visitei. elas voltam para mim sem que eu consiga impedir e quando vejo já fui. mas pode ser ruim, porque eu posso adoçar momentos que não foram tão bons assim ou aumentar com lentes fundo de garrafa a dor que eu senti ali. pensando bem, pode ser terrível. principalmente, (como eu já falei aqui) porque nem sempre as pessoas se lembram tanto de mim e com tanto carinho como eu me lembro delas e eu, the queen da sensibilidade posso tender a ficar melancólica de quando em vez. mas ainda assim acho que vale a pena. é o ônus e o bônus.

ganhei de presente essa semana um encontro com o passado fora da memória. pela primeira vez este ano sentei-me na mesa com quatro figuras que eu vinha dando um valor enorme. eu imaginava a gargalhada, as tiradas, o jeito de mexer o cabelo de cada uma delas e principalmente a sensação de pertencer que elas me traziam. no caminho, tive um certo medo de que eu houvesse adocicado demais a lembrança mas no minuto que eu as encontrei senti exatamente o oposto. eu havia adocicado de menos. foram duas horas de encontro com as amigas que me fizeram sentir duas coisas opostas simultaneamente: como tudo mudou(!), como tudo está igual(!). crescemos tanto, e para tantos lados, mas ainda assim somos as mesmas. antes de embora analisei cada detalhe de todas elas, o relógio, o tom da voz, o cheiro do aperto do abraço. tudo numa tentativa de poder visitar essa memória exatamente como foi, ou pelo menos muito similar. especial, compartilhada. querida.

8 comentários:

Ana Luísa disse...

Ai, Flá.. eu adoro reencontros! E sempre fico angustiada antes deles, pensando que eu posso ser ingênua e estar esperando demais.. Lembro da primeira vez que fui a São Paulo depois de ter me mudado pra Curitiba. E mesmo ansiando rever meus amigos depois de 3 meses, estava com medo de que já não me sentisse parte. E foi tão incrível estar sentada com eles no chão, no meio das almofadas, que parecia que eu nunca tinha saído. A gente nunca sai de casa. Porque casa é o lugar onde o coração está!
<3

(Comentei uma coisa nada a ver, né.. mas eu também acho que o passado é um caso complicado. Ou a gente guarda a mágoa maior do que realmente é, ou adocica infinitamente mais, trazendo uma nostalgia que talvez nem deveria existir.. hihihi.. Beijos!)

Marina Melo disse...

E que venham muitos outros encontros!!
que saudade que eu estava!!!

Drêycka disse...

"...não sentimos o gosto daquela memória tal como ela foi. ela sempre acaba parecendo um pouco mais azeda ou doce do que realmente aconteceu."

Falou tudo!

Mariana Penna disse...

Fla, que blog mais encantador!

Já sigo!!

Um beijo!!

Mayra Borges disse...

Memórias são sempre especiais a sua maneira. E quantas vezes mesmo sem querer acabei por editar minhas memórias tornando-as lindas demais ou dolorosas demais. "Perdemos o controle do tempo assim que passamos por ele" é exatamente isso. Parabéns pelo texto, muito bem escrito. Eu sou completamente apaixonada por esse blog aqui, agradeço ao acaso que me trouxe até aqui haha. Beijos senhorita escritora, até breve.

www.eraoutravezamor.blogspot.com

Larissa Bello disse...

Realmente, a memória pode ser doce ou extremamente cruel. Isso porque é sempre o nosso olhar sobre como as coisas são ou como gostaríamos que fossem. Acredito que o verdadeiro exercício da memória é justamente dosar a nossa própria realidade.

Bjos!
PS: Reencontros assim são sempre ótimos mesmo.

Bruna Gabriela disse...

A memória nos permite estar em locais q talvez nunca mais voltaremos. É magico poder guardar esses momentos, e principalmente viver o que o imaginamos.

Gabriela Freitas disse...

é tão gostoso reencontrar amigos e pessoas que foram especiais e que ainda são, matar a saudades, ver como as coisas mudaram e ao mesmo tempo continuam iguais... saudades daqui Flá
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Estou aceitando encomendas de layouts, nada muito perfeito, mas são de graça, caso tiver interesse: http://denovomaisumavez.blogspot.com.br/p/layouts_6.html