segunda-feira, 2 de abril de 2012

do tipo padrão


eu costumava querer sempre mais, sem freios. 

se alguém me perguntasse uma palavra bonita dizia amor, mas logo depois pensava em outra: intensidade. gostava de tudo que era grandioso, tudo que era enorme, tudo que era infinito, vibrante, enorme. me entregava às emoções com uma facilidade indescritível: chorei amor por todos os lados, porque não podia entregá-lo para quem o fazia nascer e passei noites acordadas relembrando beijos, toques, cheiros. eram migalhas, mas eu as fazia parecerem banquetes. pra mim melhor cidade do mundo era são paulo, por suas características, seus prédios gigantescos, sua mania de superlatividade, por ser a locomotiva do país. eu amava extremos e sentia dó de quem não os admirava como eu, pensando "como deve ser pálida a vida de quem se contenta com tão pouco". eu queria ser reconhecida, estar no topo da colina, a melhor jornalista, na melhor revista, da melhor empresa, estar em todos os lugares, incansável. melhor dizendo: insaciável. 
parece que foi ontem mas ao mesmo tempo tenho a impressão de que faz uma eternidade. peguei alguns dias de folga, sem viajar, nada de praia, sol e mar e coisas do tipo. só eu. minha família. meu amor. meus filmes e livros. senti aqui bem dentro de mim como se nada mais faltasse, como se fosse só isso. não quero mais estar no topo de nada, eu quero a felicidade e a saúde dos meus e nada mais. aliás, só um pouquinho mais: poder desfrutar do convívio deles. e vejo o futuro assim, uma professora talvez, pegando os filhos na escola, passano na casa da irmã e da tia, preparando a janta, assistindo um bom filme. tipo padrão. essa é a minha praia agora, essa é a minha paz. paro e penso hoje "como é vívida a vida destes que se contentam com tão pouco".  

9 comentários:

Rafaele Cristyne disse...

Quando a gente se basta não precisa de reconhecimento alheio : )

aline disse...

eu acredito que pouco pode ser muito e o pequeno pode ser grande, basta o ângulo de visão.

Ana Luísa disse...

E se nos contentamos com pouco é porque aprendemos que a verdadeira intensidade vive dentro de nós, Flá! Quanto ao seu comentário, não preciso nem dizer que eu sonho com você participando da máfia né? Puxa vida!

Vanessa disse...

Eu pensava da mesma forma, e quando conheci o amor da minha vida, entendi que não preciso de tanto assim para ser feliz! Acho que a partir daí, começei a entender o verdadeiro sentido das coisas!
Lindo o texto, como sempre, Flá!
Beijos

Gislãne Gonçalves disse...

Eu ainda tenho essa mania de quer sempre mais!

beijos
:)

Bruna Gabriela disse...

Você não está se contentando com pouco, e nem está vivendo "padrão". Está vivendo aquilo que te faz feliz... Pode ser banal pra alguns, mas é completo para você.

Lindo texto.

Larie disse...

Sabe Flá, eu tenho essa mania de grandiosidade também. De querer sempre mais&mais. Acho que essa coisa de querer mais ou menos é uma questão do estado de espírito da pessoa mesmo. Mas, sabe, eu queria achar o contentamento extremo nas coisas pequenas, só que apenas o tempo me dará essas migalhas auto-suficientes.

Beijos :)

2edoissao5 disse...

na vida nao devemos nos contentar com pouco, mas devemos ser felizes com o que temos!

Stella Rodrigues disse...

"A gente se acostuma a muito pouco." Já dizia Humberto Gessinger, amo seus textos, sou sua fã de carteirinha :) não se limite a São Paulo, conheça outros ares.