sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

dia de festa

não tinha buffet quando eu era pequena.

pelo menos não do jeito que tem hoje. no meu tempo de criança festa boa mesmo era aquela feita em casa, ocupando sala, quintal, cozinha, quarto e banheiro. começava dias antes, as vezes com uma semana inteira de antecedência e todo mundo participava. lembro das visitas ao "mundo dos enfeites" uma loja que vendia tudo para festa: chapéuzinhos, pratinhos, copinhos e papel pra embrulhar brigadeiro, beijinho e derivados. lembro da sensação de escolher tudo, tim tim por tim tim. naquela época quindim também não podia faltar e era um dos poucos doces que se comprava. de resto, era tudo produzido em casa mesmo. minha mãe fazia o bolo, a tia número 1 o brigadeiro, a tia número 2 o beijinho... a decoração era um estágio a parte. enquanto uma prima enchia a bexiga a outra prendia no barbante, a outra pregava na parede. a mesa ganhava babados, cores, barbies e derivados e ficava ali, imaculada até a hora do parabéns. enquanto ela não chegava, as pessoas se sentavam em banquinhos, mesas e cadeiras improvisadas e conversavam, enquanto comiam pão com carne louca, bolinhas de queijo, risoles e coxinhas fritados na hora. não era preciso garçom - a família mesmo se revezava. as crianças por sua vez, ficavam no quintal: barra manteiga, queimada, pique esconde e pega pega eram as brincadeiras favoritas. nada de tobogã, videogame ou piscina de bolinhas. e olha, estes brinquedos prontos não faziam falta, não, viu. de vez em quando uma dança da cadeira e estátua embaladas por um tal grupo chamado é o tchan ou, outras tantas vezes, xuxa.
as famílias diminuíram, os apartamentos viraram caixas e as festas... bem, as festas agora são feitas em buffets, grandiosos, dispostos em várias esquinas, com mesas bem decoradas, uma porção de quitutes e convites contados.
sinceridade?

eu preferia aquelas datas queridas, aquela felicidade, aqueles anos de vida.

6 comentários:

Ana Luísa disse...

Se dizem que o melhor da festa é esperar por ela, esperar ajudando a preparar é uma delícia. Essas festas que você narrou me lembraram muito as nossas festas de criança na casa da vovó! Como somos em muitos, até me mudar pra São Paulo, sempre tinha festa de algum priminho. Eu adorava poder encher algumas bexigas, mas nunca sabia dar o nó, então repassava a bexiga toda babada para minhas tias amarrarem, haha. Tem filmagem aqui em casa de alguns aniversários. Nossa diversão era também poder ajudar a servir os docinhos! Tínhamos nossos 4/5 anos, e saíamos supimpa depois do parabéns com bandejas na mão, passando pelos convidados, a maioria nossos tios, e nos sentindo super importantes! Era tudo tão mais íntimo e tão mais gostoso! Tenho uma sensação esquisita sobre festas em buffet, parece que é tudo no automático, que as pessoas vão só pra comer/se divertir, e nem lembram quem é o aniversariante.
Beijos, Flá!

Gabriela Freitas disse...

Já sou da geração buffet, morei em prédio até meus seis anos, mas tive no máximo 3 festas em buffet... Minhas festas sempre foram na casa da vó ou no salão do prédio e o clima era muito mais quente do que as que eu tive em buffet (exceto a de 15 que é outra história) não trocaria as que eu tive naquele salão meio apertado por nenhuma outra, lá todo mundo ficava unido.

aline disse...

eu concordo com você! eu tive os melhores aniversários servidos em pratinhos de papel e bexigas. com carne loca e risoles.
aqueles anos de vida eram os melhores!

Letícia Giraldelli disse...

Ah, que saudade que deu dessa época!
Eu também prefiro lá atrás, viu? Dançando xuxa e é o tchan! HUAHAUHAA

Alê disse...

É meio clichê, mas eu não voltaria um dia da minha infância,

Eu fui imensamente feliz,


Minhas cicatrizes comprovam, rsrs



Bjkas

Maria disse...

eu também preferia, tudo, todos os detalhes. Quando penso nas festinhas da infancia recordo os cheiros, os sabores...era completamente mágico. a gente se sentia de fato comemorando a vida, TODO MUNDO empenhado em festejar mais um ano de vida. era bom, era muito bom!!!

um beijo, moça.