sábado, 19 de novembro de 2011

amor com sotaque

o sonho da vida dela era se casar com um português.

ela não sabe bem ao certo o porquê, mas desde que começou a descobrir o que era amor encasquetou que ele seria da terrinha. e virava e mexia era a mesma coisa, estava no estádio e os olhos atentos, não na bola, mas no futuro pretendente. quem sabe? sempre se derreteu ao escutar alguns "ora, pois", mas a verdade é que a medida que crescia eles deixaram de se fazer tão presentes, pelo menos na boca de jovens, que sempre foi o que a interessava. e então aos 20 anos redondos ela se determinou: iria itensificar a busca. ao soprar as velhinhas, fez o tal pedido e desde então começou a frequentar tudo que se relacionasse ao tipo: jogos de futebol, clubes portugueses, reuniões com danças folclóricas e restaurantes. no começo tinha uma ideia ainda mais fixa e restrita: tinha a certeza de que ele seria bem branco, bem branco mesmo, com os olhos claros e pai cabeludo e grisalho. mas com o tempo foi abrindo algumas restrições, achando uns gajos morenos interessantes, os dentes sempre quadrados, e por que não os castanhos cacheados?
encontrou com um aos 21, antes da virada do aniversário, tinha um sotaque ferrenho, mas era lisbonense e o namoro durou pouquíssimo. apesar de ela ter torcido muito, pois tinha a certeza, certeza absoluta de que era ele, não deu certo. ele voltou para lá, trocaram algumas cartas, e-mails e facebook, mas terminou. o coração ficou tão pequeno que ela chorou quase um oceano inteiro, e praticamente desistiu de encontrar um novo pretendente. não saía mais para lugar nenhum e quando aparecia um português em novela (estava mesmo uma febre) o coração acelerava, saltitava, numa alegria triste...
até que um dia, aos 23, estava num casamento de uma amiga e enquanto tomava um drinque isolada sentada num puff preto no canto esquerdo do salão escutou ele dizer: "importas de eu me sentar?" o coração deu mil piruetas. era branco feito um palmito, tinha os olhos claros, o cabelo castanho cacheado e os dentes quadrados. nasceu no porto, o pai mantinha negócios lá e cá, e ele vivia na ponte aérea. no segundo encontro com a família ao ver os cabelos quase compridos e grisalhos do sogro teve a certeza. caso-se antes dos 24, teve quatro rebentos (dois de lá, dois de cá) que soltavam expressões como "fogo" e "ó pá, o que há?" e tornou-se a mulher mais feliz do mundo.

15 comentários:

'Lara Mello disse...

Quando agente menos espera a vida muda.. Vai entender =)

Tati Lemos disse...

Temos que ter essas expectativas e no final seremos como ela a mulher mais feliz do mundo.

Beijo querida, me visita!

aline disse...

talvez porque os portugueses tão saudosos, tão amantes... sejam tão amáveis.

Ana Lu disse...

Ain, que texto leve, fofinho e delicioso de ler, Flá! (Eu também me derreto com 'ora pois' e 'ó pá'. HAHAH

angel disse...

tens toda a razão. obrigado *

Vanessa disse...

Sensacional procurar um amor por sotaque! Isso é que é critério interessante! Adorei, viu?

Kamila disse...

Adorei! Parabéns pelo blog!

Thay disse...

Se o sonho dela é um cara com sotaque português, o meu vai mais pro lado britânico da força. Texto adorável - como todos os outros que já li por aqui! Incrível como consigo ir voltando nas postagens antigas e me esquecer das horas (e isso porque tenho um TCC pra terminar!)! Beijo!

Tatiana Maslova disse...

Primeira vez que venho aqui e encontro esse e outros textos adoráveis.
Super leve e fofo.Quem é que não se derrete com um 'ora pois'?

del disse...

E os meus sonhos? (será que todas nós, mulheres, temos esse tipo de desejo?) Eu sempre quis um italiano camponês. Daquele de camisa folgada, rosto quadrado, sorriso firme e olhar de lobo. Que passasse o dia inteiro na plantação de uva ou de azeitona, carregando estopas e o escambal. Veja você. "Amore mio" e "Va bene" obrigatórios no vocabulário. Coisa rica de se ver.

Depois, tive minhas recaídas por finlandeses e gregos. Até cheguei aos portugueses com sua fala arrastada. Mas sempre volto pro meu italiano camponês. Eu sei, sou estranha :D

Letícia Giraldelli disse...

Quando a gente coloca algo na cabeça ninguém tira né?! Mesmo que dê errado nas primeiras tentativas.... ahahaah
que história bonitinha! :3

Jaque ઇ‍ઉ disse...

Porque seus posts não aparecem no meu painel? =/

Desculpa a demora Flá, mas é que está corrido aqui.

Sei beem o que é ter um português do lado! Meu marido não tem sotaque nenhum pois já nasceu aqui. Mas meu sogro, ah esse era legítimo! Adorava ouvir ele contando as histórias. Parecia que eu me transportava :)

Obrigada pelo carinho no blog. Com certeza passamos a mesma dor da perda. Ontem fez uma semana mas parece que é mentira sabe? Ainda dói, mas sei que ela está bem agora.

Beijos!

Renata Bittes disse...

Comentei duas vezes e deu erro =/
Repetindo... rs Achei legal seu texto. É tipo "O segredo" né? Vc acredita até que materializa! rs Quando tiver um tempinho essa semana, te responde o e-mail. Aquele assunto rende horrores! hehe

bjs!

Lari disse...

Que história linda ç.ç tão apaixonante esse final. :,)

Milena M. disse...

Minha família portuguesa que não me leia, mas tô com a Del: sonho mesmo é um italiano. Só que o dos meus sonhos é de Roma mesmo, bem urbano. De preferência com uma vespa. Não que eu seja materialista, é que sempre achei romântico passear sob o céu romano numa vespa. AAAAi, eu quero! *-*
Quero final feliz também! :*