quinta-feira, 15 de setembro de 2011

uma história curta

ela era uma menina incrível de sorriso lindo.

lembro de quando a vi pela primeira vez nos corredores daquele colégio, com o cabelo comprido bem preto e covinhas que se anunciavam de longe. lembro de ter pensado: até que enfim alguém que preste aqui dentro. e depois na segunda vez, eu estava no metrô, a porta se fechou rápido, e embora ela corresse com a mochila nas costas, não conseguiu entrar. foi a primeira vez que a vi de perto, tinha os lábios bem carnudos, nos encaramos de frente, ela de um lado, eu do outro e seu olhar me acompanhou no restante do caminho pra casa.

depois, quando fui para o sítio e nada mais parecia dar certo e quando achei que nunca mais a veria na vida, atravessava a rua de terra pra dar uma volta de bicicleta quando a vi descer de um carro verde, estacionado na rua ào lado. lembro de ter pensado uma centena de vezes "será possível? será mesmo possível?". e era. eu a cumprimentei com o coração sobressaltado, falava até meio alto com medo de que ela me escutasse as batidas que iam no peito, o que provavelmente fez com que ela pensasse durante um longo período de tempo que eu carregava comigo algum problema de audição. quando cheguei de volta no sítio, quase morri de desgosto ao ver minha imagem refletida no espelho. eu tinha terra nas pernas, na camiseta, no chinelo. pensei "nunca mais ela vai querer me ver na vida". mas ela quis.

eu não pensei que combinássemos, porque ela era toda perfeita e eu nunca o fui e apesar de abraçar os momentos em que vivíamos juntos com unhas e dentes, quando pensava no futuro me via sozinho ou com outra pessoa e assim tratava de pensar em outra coisa. e assim vivemos por fins de semanas a fio, embalados por beijos, abraços, carinhos, cartas e telefonemas até que a coisa chegou ào fim. doeu menos do que eu imaginava, mas ela me marcou muito mais ainda do que eu esperava. e hoje aqui pensando comigo eu tive uma certeza: de alguma forma ela ficou.

10 comentários:

Luna Sanchez disse...

Tu não tem ideia do quanto gostei desse texto!

E sobre resquícios das pessoas que passam pelas nossas vidas, tenho certeza de que eles ficam sim. Nenhum relacionamento valeria a pena se isso não fosse verdade.

Lindo post, parabéns!

Um beijo.

Ana Lu disse...

Que texto lindo! Tem pessoas que nunca "passam" pelas nossas vidas. Sempre "ficam"... E Flá, ainda não recebi não, mas deve ser porque os correios entraram em greve ontem! =S
Quando chegar eu te aviso!

'Lara Mello disse...

E fica mesmo!
Eles ficaram em mim..

ૐ 'Priscylα disse...

Isso foi lindo, completamente lindo !

Jessica Moraes disse...

nossa, que história bonita. vc escreve super bem os sentimentos, as pessoas... gostei muito disso aqui. parabéns pelo talento, irei visitar mais vezes.

Retrato em Branco e Preto disse...

Pedaços sempre ficam, e marcam e, às vezes, doem.

Texto lindo!
Um beijo

M. disse...

Dentro dela tem: Um monte de palavras lindas de se ler

Suzi disse...

um conto romântico...faz tempo que não lia um assim...

Jana disse...

Oi, Flá! Que história bonita!

Eu gosto de contos assim, sem muitos jogos de palavras, algo que dê prazer em ler, que seja fácil de entender, um sentimento simples e escrito de forma bem limpa.

É aquela história lugar comum que pode acontecer a qualquer um (e acontece!). Tão doce! Muito doce! E sabe o que eu gostei mais? É que não senti nada de ressentimento; só carinho e lembrança. Carinho pelas coisas boas que aconteceram mesmo que não tenha mais dado certo. Adorei!

Beijos!

Isadora disse...

essas pessoas que passam rapidinho e ficam são as mais especiais :)