segunda-feira, 23 de maio de 2011

minúscula

nunca gostei de gente depressiva. vai me dando uma agonia aquele olhar perdido, de gente desesperançosa, de medo do futuro e de mágoa do passado. não gosto, porque sempre fui muito sensível e acabo absorvendo um poudo daquilo que vai na alma dos outros.
mas aí hoje, quando eu acordei sentindo que levava o mundo nas costas, quando senti esse peso maior que eu em cada passo do quarto para o banheiro, e quando me deparei com a minha imagem refletida no espelho me assustei. como é que em tão pouco tempo me tornei isso? como é que a gente se deixa se tornar aquilo de que a gente foge?
sei lá eu quando foi que eu me tornei tão medrosa. lembro que quando eu era criança, minhas amigas tinham medo de matar bicho e eu era primeira a meter o sapato. lembro que quando as meninas levantavam fugindo eu ficava pra ver no que é que ia dar a brincadeira do copo - ou do compasso. lembro que a primeira vez que eu vi uma montanha russa fiquei extasiada e cheia de vontade de subir, e sentir aquela adrenalina toda e mesmo depois de gritar até perder a voz, voltei pra fila querendo mais.
mas aí a gente cresce e não sei porque vai ficando besta
hoje nem assisto mais filme de terror direito, porque me impressiono fácil. uns medos bobos ganharam tanta força e são tão grandes. e eu me sinto só mais uma, minúscula, bem aqui no fundo.

2 comentários:

Beatriz Amorim disse...

O pior é que isso realmente acontece, Flá. O tempo passa e quando paramos para prestar atenção, acabamos nos tornando o que mais criticamos e tememos ser.

Só nos resta não deixar morrer esse espírito de criança, que nos é tão precioso!

Um beijo, querida.

Suzi Lima disse...

quer saber? a gente tem de aprender a lidar com esse tipo de coisa...é estranho, parece maior do que podemos suportar, mas, conseguimos... é só uma questão de força.