terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Domingo

Chovia um pouco lá fora e eu não sabia se aquela roupa seria a mais apropriada para a ocasião. Minha cabeça girava, não conseguia me concentrar em nada, um turbilhão. Não sabia se o cabelo ficava bom de um lado ou de outro nem estava certa a respeito da cor do batom. Meu coração batia acelerado, atrapalhava o ritmo dos meus pensamentos.

O tempo estava correndo eu tinha que me apressar. "Vai assim mesmo" "Em que lado mesmo ficou meu cabelo?" Dane-se. Peguei a chave e vi a chuva caindo pela janela. Aquilo era hora de chover? Peguei o guarda-chuva que estava naquele canto da casa pendurado, dei tchau para os meus pais e desci. Não me lembro do que eles me disseram na hora.

Os degraus pareciam um perigo óbvio andando naqueles saltos que me faziam sentir tão desconfortável. E então ali estava ele, esperando na porta, os braços apoiados sobre o capô do carro. Na chuva. Senti seus olhos apertarem um pouco para me enxergar direito e sua mão apoiar o queixo enquanto eu me aproximava. Tão perfeito.

Abri e fechei o portão com uma certa pressa logo depois de ter abandonado o guarda chuva em algum lugar do quintal. Ele me recebeu com os braços abertos, as mãos em minha cintura, o beijo na testa. Olhei para ele maravilhada, antes de sentir a quentura dos seus lábios nos meus. A chuva ainda caia e surpreendentemente não me incomodava que destruísse todos os fios do meu cabelo, nem os saltos pareciam tão desconfortáveis. Era como se eu tivesse alcançado outro nível de felicidade, sublime, no céu.

Meu coração batia lentamente, tranquilo e sereno enquanto entrávamos no carro. Me sentia completa em cada pedaço. Ainda me sinto, toda vez que ele chega em casa, cada minuto que divido sua companhia, cada instante da minha vida em que elevo meu coração até ele. Me sinto completa. Sou completa. Completamente apaixonada por ele.

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