quinta-feira, 24 de setembro de 2009

As páginas de Manoel Carlos

Em primeiro lugar gostaria de deixar bem claro: sou noveleira. Faço parte da minúscula parcela da população que assume assistir e gostar disso. Não tenho vergonha nenhuma, é um gênero tipicamente brasileiro os autores e atores dão um duro danado pra fazer funcionar e conseguem fazer um super trabalho com um orçamento muito menor do que o utilizado pelos poderosos das séries americanas. A qualidade pode não ser tão boa, mas vamos combinar que fica bem acima do que os "metidos a intelectuais" andam dizendo por aí.
Daí que quase vinte anos completos e muitas novelas, eu sempre amei Manoel Carlos. Por Amor, Laços de Família, Mulheres Apaixonadas, Páginas da Vida... fã de carteirinha de não sair de casa pra ficar se envolvendo com todas aquelas histórias de gente com muito dinheiro que faz muita coisa errada até se dar bem no final. Sempre admirei o jeito especial com que ele trata das mulheres, sempre cheias de forças e do modo como ele não cria pessoas como os tais vilões que a gente tanto vê por aí (dá pra gostar da Flora? da Yvonne? Meu Deus, existem pessoas só más nesse ponto?).
Mas estou decepcionada. Essa tal de Viver a Vida pode estar no começo, mas não me acrescenta absolutamente nada de novo. Tanto falaram de "Caminho das Índias" ser a versão número dois de "O Clone" e começo a me perguntar se a nova novela das oito (entenda-se nove) não é a número cinco, a quinta temporada de Manoel Carlos. Me irrita esse ambiente todo chicoso, a empregada amiga, a filha mimada. É tudo repeteco.
Sei que não se mexe em time que tá ganhando e sou totalmente a favor da trilha sonora maravilhosamente bem elaborada e dos depoimentos no final. Ok, continue assim, afinal de contas as músicas são outras e os depoimentos também são diferentes. Mas o enredo? Este não, continua a mesma coisa do mundo top do Rio de Janeiro, com uma leve troca de atores (Zé Mayer não abdica de seu posto). Ainda temos que aturar uma Taís Araújo absurdamente forçada, uma Dani Suzuki irritante e um time de atores fraquíssimos! Agradeço aos gêmeos, muito bem interpretados por Mateus Solano e perfeita da Lília Cabral.
Sinceramente, são poucos os bons momentos daquilo que eu julgava tão bom e me pergunto se a qualidade piorou de uma hora pra outra ou se são os meus vinte anos fazendo efeito. Espero que o tempo, e a falta do humor do Dodi de "A Favorita" e a competência de Tony Ramos em "Caminho das Índias" vão acabar me respondendo com o tempo....

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