segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Sinais de fogo

"Tem sempre um minha filha, que não dá."
"Como assim tia?
"Alguém filha. Um. Para quem não existe não"
"Não entendo...."
"Mas você vai entender perfeitamente. E ainda vai lembrar de mim. Existe um, para quem a gente não diz não."

Meus 12 anos ainda não me permitiam refletir e entender perfeitamente o que aquelas palavras, aparentemente aleatórias da minha tia queriam me dizer. Mas ontem, ah ontem...
Cafajestes andam pelo mundo com aquela velha facilidade de sempre. Vão e vem como cometas na nossa vida, e deixam marcas profundas e desejos íntimos de quero mais. E hoje eu entendo perfeitamente que são pra esses, particularmente um só, em determinada fase da vida - melhor pensar assim do que imaginar que o mesmo durará eternamente - para quem é muito difícil negar.
Ainda que todos os poros da sua rara consciência grite dizendo que NÃO! Ainda que você escute lá no fundo da sua alma o típico "você vai se arrepender", ou que você sinta o coração acelerado batendo desesperadamente, levantando as plaquinhas de alerta, você vai se contradizer.
Porque todo o resto de você te impusiona, te joga e faz com que você se entregue como em capítulos de novela, ou cenas de cinema, ào momento, àos beijos, àos toques, à sensação. Vai dizer que não te apareceu um nome, preciso, neste instante?
Os arrependimentos vem depois, bem depois, pela ilusão que aqueles encontros - geralmente não esperados - causam em nós. Lamentamos a nossa fraqueza, o "ele não merecia". O único sobrenome que um Cafajeste pode oferecer para nós é o tal do Arrependimento. Mas ele nunca é tão forte há ponto de barrar nossos impulsos e desejos, e se barra é porque o cafa simplesmente não está mais com a bola toda, e deixou de ser Classe A no nosso dicionário de "top desejo".

O importante é saber distingui-los : não sentimos amor por este cafa específico. É diferente da entrega de amor, não rola sentimento e sim química - e que química. E por isso não faz tão mal.
Ontem eu não disse não. E meus níveis de arrependimentos são quase zero.

Ps: Segue a música da Ana Carolina, que não tem tanto a ver com o post, mas que deu título à ele. Uma delícia!

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