segunda-feira, 4 de agosto de 2008

A droga daquele amor - o relato

Não esperava que me tornaria uma louca apaixonada quando o conheci. Mas as coisas foram acontecendo, namoramos um ano e meio e na verdade quando acabou, percebi que era só o começo de uma longa jornada pra mim. Nosso namoro foi aquilo que podemos chamar de obsessivo - ele me ligava pra dizer que tava indo tomar banho, eu ligava pra dizer que estava indo à padaria. Não existia abraçar outro homem na frente dele e eu tinha que medir meu modo de sentar e o tamanho da saia. Morria de ciúme de qualquer piadinha que ele fizesse pra outra menina.
Quando terminamos, senti uma dor incomensurável, que não dá pra descrever. Era como se tivessem tirado um pedaço de mim, como se eu não pudesse respirar sem. Eu não sabia se reazva para a hora da escola chegar e assim eu poder trocar alguns olhares, buscando ser notada novamente, ou se rezava para evitar a hora desse encontro, onde a distância entre nós era curta e ao mesmo tempo tão longa. Perguntava pra todo mundo se não tinha nenhum remédio para que sarasse aquela dor. Hoje acho, que se existisse, teria ficado viciada.
O negócio começou a ficar físico. Minha pressão baixava toda hora, eu não tinha vontade nenhuma de comer e emagreci vários quilos. Todas as músicas do rádio me faziam lembrar de alguma coisa dele, eu sentia o perfume dele dentro de casa, e não havia lugar que eu fosse onde sua ausência não fosse sentida. Achei que nunca mais amaria daquele jeito. Chorar pra mim havia virado rotina, minha mãe ficou desesperada, procuramos psicólogos, TUDO para que eu tentasse esquecer e amenizar aquela dor. Me sentia culpada de sofrer mais pela falta dele, do que do meu avô que tinha falecido.
Aos poucos fui me recompondo e percebi que conseguiria viver sem ele, como consegui. Muita gente achava que era loucura todo aquele sentimento, que eu tinha me inspirado em novelas e coisa e tal e hoje não sei se o amei de verdade. De uns tempos pra cá comecei a achar que amor de verdade é só um, e talvez ele não tenha sido o cara. Mas o importante é que durante MUITO tempo eu senti que ele fosse. Foram 4 longos anos de uma paixão maluca, onde tudo que eu fazia me lembrava alguma coisa dele. As crises de choro foram diminuindo - antes todo dia, depois uma vez por semana, depois por mês, a cada dois meses...
Estou recomposta. Pela primeira vez, talvez realmente disposta à viver uma nova paixão com alguém diferente. Sei que o que eu senti foi muito forte, hoje ele anda ligando para mim com uma certa frequencia, talvez exatamente por eu ter retomado as rédias de mim mesma. Durante tanto tempo, fui tão dele que esqueci de mim, esqueci de fazer o que eu gostava, de sentar de qualquer jeito na cadeira de abraçar quem eu tivesse vontade. E não foi por essa menina que ele se apaixonou - ele tinha se apaixonado por aquella menina que sentava de qualquer jeito e abraçava quem tinha vontade. Hoje, sou minha novamente. Foi a melhor recuperação que eu pude ter. Mas não sou mais aquela mesma menina por quem ele se apaixonou - esse amor me fez aprender tanto! Não me vejo NUNCA mais me esquecendo de mim. Minha prioridade sou eu. Esse é o primeiro passo para qualquer outra pessoa gostar de mim.

Nenhum comentário: