quarta-feira, 16 de julho de 2008

A Grande Família



Odeio confusão. Se tem uma coisa que eu não gosto é de falar alto com alguém, de dizer que preferia que a pessoa agisse de outro jeito, de olhares tortos e ressentimentos guardados. Odeio dizer não. Odeio profundamente confusão, mas já me meti em algumas, principalmente no colégio. Já me afastei delas há um tempo, e tento me afastar o tempo todo. São tentativas constantes.


Minha família é enorme, só de irmãos da mãe eu tenho 7, e primos a perder de vista. Me acostumei à aniversário de família todo mês, ao bolo na casa da tia Guiô, às risadas e palhaçadas da minha Tia Rita, do esquecimento da minha Tia Socorro e sinceramente não consigo me imaginar sem elas. Mas tenho que confessar para mim mesma que isso tudo já foi melhor. Bem melhor.
Me lembro de quando eu chegava nos aniversários da vida, pricipalmente no fim de junho, começo de julho, ou março, que tem vários e sentia aquela alegria imensa ao ver todo mundo, brincar no quintal de um, fazer cabana no quarto do outro. "É a hora do parabéns" - "Ahhh, mas já?!". A casa parecia sempre entupida de gente a atmosfera era sempre gostosa. Ontem tive o aniversário de uma tia, e vi como as coisas mudaram...
De repente um comentário aqui que a gente não gosta, uma olhada ali que a gente dá, ou percebe que dão, a cor da roupa da outra, o comprimento do vestido. É complicado virar nesse mundo adulto onde tudo fica tão mais complexo pra não dizer complicado. As pessoas se irritam facilmente, e fica uma tarefa quase impossível aceitar as características do outro. Tenho duas tias que não se olham - e nem se falam - alguns primos que eu não vejo desde o tempo do ronca e outros que são tão sem graça que dou graças à Deus que não comparecem mais à aniversário nenhum e tenho a impressão que cada vez mais, menos gente comparece. É triste quando a gente ve esses laços tão importantes sendo deixados de lado, por conta de um arrasta aqui, leva ali, de um comentário inoportuno. É tudo tão pequeno perto da grandiosidade de sentimentos que une todo mundo, será que ninguém vê?
E de vez em quando eu me pergunto quantas coisas eu já deixei de ver também, quantas eu ainda vou deixar de ver, e quanto tempo eu levo para parar de ver tudo. Tenho a sensação de que o pouco que eu ainda enxergo é vestígio de alguma criança que mora (e que eu não pretendo desabrigar) dentro de mim. E às vezes penso que toda aquela lembrança de aniversário cheio e atomosfera gostosa é só parte da minha fantasia de criança. Mas no fundo acabo percebendo que é só meu adulto opinando....

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