segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

Caras, bocas, pessoas



Tive que pegar metrô hoje pra ir do outro lado da cidade, resolver algumas coisas das férias. A chuvinha e o ventinho eram um convite, quase uma súplica, para que eu permanecesse em casa, mas não deu. Teimosa que sou, lá fui eu resolver. Sou daquelas que enquanto não resolve o problema, não dorme, não come etc e tal...

No meio de toda aquela muvuca que só quem já pegou a linha vermelha Sé, às 5h da tarde pode entender, me deparei irritada com a situação. Irritada com todos os governadores, senadores, deputados e prefeitos, pra não citar o presidente, que deixaram o transporte público num estado deplorável como aquele. Até sardinhas em lata tem mais espaço pra respirar do que as pessoas que utilizam o metrô.
Foi me subindo uma onda de indignação, de perplexidade e principalmente de raiva. Afinal de contas, eu estava pegando o metro naquele horário, mas a maioria daquelas pessoas, o tem como Ùnico meio de transporte.


Cedi meu banco à uma senhora - pois o banco cinza, que é reservado às pessoas de idade, deficientes etc, estava sendo ocupado por uma moça, de uns 25 anos, muito bem disposta, que se fingia dorminhoca - junto de uma criança, que deveria ter uns 4 anos. O nome da senhora eu não sei, mas o da criança era Lúcia. A senhorinha, ajeitou os óculos uma dezena de vezes e apertou a menina junto ao peito, alisando de vez em quando seu cabelinho, encaracolado. A menina devolvia o carinho, alisando as mãos de quem parecia ser sua avó.

Por alguns momentos, presa àquela cena, me esqueci de toda a raiva que sentia, e fui invadida por um enorme sentimento de compaixão. Pude perceber, sem querer, que até ali, em meio de tanta bagunça e de certa forma, em meio de tanta injustiça, estava presente o amor. Pode até parecer meio piegas, mas foi assim que me senti.
A senhora levantou os olhos, ajeitou os óculos mais uma vez, riu pra mim e disse:

_ O nome dela é Lúcia.

Pediu pra menina me cumprimentar, e toda encabulada, Lúcia sorriu pra mim.
No meio de tudo aquilo, acabei chegando à minha estação, e tive que descer. Enquanto saía do trem, esbarrando em todos - pois não tinha outra tentativa - fiquei com raiva de todos os políticos novamente. Mas me prendi à imagem da senhora, com a neta. Enfim, os políticos não podem acabar com tudo...

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